POLÍTICA

Lula: Foi uma manifestação em defesa do golpe, temos de ter cuidado, essa gente não está pra brincadeira

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Por JORNAL DO BRASIL com Agência Estado
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Publicado em 28/02/2024 às 07:36

Alterado em 28/02/2024 às 08:51

O presidente Lula foi entrevistado pelo jornalista Kennedy Alencar Ricardo Stuckert

Matheus de Souza e Caio Spechoto - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à RedeTV!, que as manifestações convocadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro neste domingo, na Avenida Paulista, foram de fato, grandes. “Quem não quiser acreditar é só ver a imagem, mas foi uma manifestação em defesa do golpe”, disse. Mesmo com essa visão, o chefe do Executivo disse não ter visto problema na presença de figuras como governadores apoiados por Bolsonaro no palanque.

“Eles tinham a obrigação de estar lá”, disse Lula ao declarar que figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), eram desconhecidas e só chegaram ao Executivo estadual por causa da influência de Bolsonaro. “Não vejo nenhum problema estar lá”, afirmou. E mesmo com a visão de que o ato foi grande, Lula questionou como a população foi reunida na Paulista. “Como chegaram lá são outros quinhentos”, disse.

A avaliação do presidente sobre o ato é foi uma "coisa meio alucinante” e que exigiu muito cuidado do ex-presidente e dos seus advogados para não atentar contra outros Poderes durante seu discurso. “De qualquer forma, é importante a gente ficar atento, essa gente está demonstrando que eles não estão para brincadeira”, disse.

Sobre o pedido de Bolsonaro de anistia aos presos do 8 de Janeiro de 2023, Lula afirmou que o ex-presidente advogava em causa própria e pede perdão para si antes mesmo de ser julgado. “Como alguém começa a pedir anistia antes de ser julgado?”, perguntou. “Está pedindo anistia? Quer apagar bobagem que fez?”, continuou. Segundo Lula, o ex-presidente tem que ser ouvido, ter o direito de ampla defesa, mas não tem como pedir para ser inocentado antes mesmo de ser julgado.

'Tocar esse país pra frente'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não quer ficar “remoendo o passado” e que está mais preocupado com os atos golpistas de 8 de janeiro do ano passado do que com o golpe de 1964 que completa 60 anos em abril com desaparecimentos não resolvidos e militares anistiados.

“Estou mais preocupado com o golpe de janeiro de 2023 do que de 64, quando eu tinha 17 anos de idade”, disse. “Isso já faz parte da história, já causou o sofrimento de causou, o povo conquistou o direito de democratizar esse País, os generais que estão hoje no poder eram crianças naquele tempo”, disse o presidente. “Eu sinceramente não vou ficar me remoendo e vou tentar tocar esse País pra frente.”

Lula também afagou seu ministro da Defesa, José Múcio. De acordo com o presidente, na gestão de Múcio, militares que comprovadamente participaram dos golpistas do dia 8 de janeiro estão sendo julgados e, se provados culpados, serão punidos. “Lembra algum momento que um general foi chamado pela Polícia Federal para prestar depoimento?” perguntou.

“Múcio tem feito um trabalho adequado”, disse o presidente, afirmando que é preciso aproximar a sociedade e as Forças Armadas e que a instituição “não pode ser tratada a vida inteira como se fosse inimiga”.

Crescimento de 3% ou mais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil vai crescer 3% ou mais neste ano. 

As estimativas do mercado para o avanço do PIB em 2024 têm subido, mas estão bem abaixo do patamar citado por Lula. Mais cedo nesta terça, o Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne as estimativas do setor privado, mostrou que a mediana das projeções está em 1,75% para o crescimento do PIB.

“Nós vamos crescer mais que qualquer previsão. Nós vamos crescer 3% ou um pouco mais. E por que nós vamos crescer? Porque as coisas estão acontecendo. Em todas as áreas estamos investindo o dobro do que o governo daquele cidadão”, declarou o petista. “Aquele cidadão” é a forma pela qual Lula se referiu a Jair Bolsonaro, seu antecessor.

Lula mencionou medidas que, em seu entendimento, favorecem o crescimento da economia. Disse que o governo anunciará crédito consignado para “o conjunto da classe trabalhadora brasileira”. Também afirmou que o País chegará a R$ 100 bilhões em investimentos na indústria automobilística.