POLÍTICA

Brasil pressiona reforma da ONU em reunião de ministros do G20 no Rio

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Por JORNAL DO BRASIL com Reuters
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Publicado em 21/02/2024 às 18:39

Alterado em 21/02/2024 às 22:17

O secretário de Estado Antony Blinken e o secretário de Relações Exteriores britânico David Cameron participam da Reunião de Ministros das Relações Exteriores do G20 na Marina da Glória, no Rio de Janeiro Foto: Ricardo Moraes /Reuters

O Brasil abriu uma conferência de ministros das Relações Exteriores do grupo de nações G20, nesta quarta-feira (21), culpando as Nações Unidas e outros organismos multinacionais por não conseguirem impedir as crescentes guerras e conflitos que estão matando pessoas inocentes.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu uma "reforma profunda" da governança global como a principal prioridade do Brasil para a presidência deste ano do grupo das maiores economias do mundo.

“As instituições multilaterais não estão adequadamente equipadas para lidar com os desafios atuais, como demonstrado pela paralisia inaceitável do Conselho de Segurança em relação aos conflitos em curso”, disse Vieira na abertura de uma reunião de dois dias para preparar a agenda para a cimeira anual do G20 em novembro. 
“Este estado de inação resulta na perda de vidas inocentes”, disse ele.

Os ministros dos países do G20, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, iniciaram uma discussão livre sobre as atuais tensões mundiais e formas de melhorar as organizações multilaterais – uma prioridade definida pelo presidente Luiz Ignacio Lula da Silva, juntamente com a contenção das alterações climáticas e a redução da pobreza.

Mas com os contínuos combates entre a Rússia e a Ucrânia e a invasão de Gaza por Israel, os diplomatas não estão otimistas quanto à possibilidade de as propostas para melhorar a governação global avançarem facilmente no âmbito do G20.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, reuniu-se com Lula em Brasília a caminho da reunião no Rio e expressou o apoio dos EUA à agenda do Brasil para tornar a governança global mais eficaz, disse o porta-voz Matthew Miller aos repórteres.

O principal diplomata dos EUA discutiu a guerra de Israel em Gaza com Lula.

O Brasil não aceita um mundo em que as diferenças sejam resolvidas através do uso da força militar, disse Vieira.
“Uma parte muito significativa do mundo fez uma escolha pela paz e não aceita estar envolvida em conflitos impulsionados por outras nações”, disse ele.

A busca do Brasil por uma representação mais abrangente num Conselho de Segurança da ONU ampliado, refletindo um mundo em mudança, foi apoiada pela ministra das Relações Exteriores do Japão, Yoko Kamikawa, apesar da dificuldade em obter consenso.

"O Conselho de Segurança precisa de se adaptar à mudança geopolítica e tornar-se mais eficiente num mundo em mudança... a comunidade global enfrenta múltiplas crises", disse ela na reunião, de acordo com o seu porta-voz de imprensa.

O sherpa brasileiro do G20, o diplomata Mauricio Lyrio, disse nessa terça-feira (20) que a falta de uma governança global eficaz para lidar com os desafios mundiais levou a uma proliferação de conflitos sem precedentes.

Lyrio disse que há um consenso crescente sobre a necessidade de reformar as Nações Unidas, onde o Brasil tem defendido a ampliação do Conselho de Segurança, proposta que não avançou devido à resistência das nações com poder de veto.

“Esta reunião será essencialmente uma sessão de desabafo para defender a reforma multilateral e diagnosticar o problema”, disse um diplomata europeu à Reuters.

Blinken e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, se enfrentaram à mesa pela primeira vez desde que conversaram brevemente cara a cara na reunião de ministros das Relações Exteriores do ano passado em Nova Delhi. Nenhuma reunião foi planejada entre os dois.

Como inovação, o Brasil proporá a realização de uma segunda reunião de ministros das Relações Exteriores do G20 em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, para avançar nas negociações sobre governança global, disse Lyrio, com todos os estados membros da ONU convidados a participar.

O G20 representa cerca de 85% do PIB global, mais de 75% do comércio global e cerca de dois terços da população mundial.

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