Deputado que disse que 'deveria ser preso' por financiar golpistas é alvo de busca e apreensão da PF

Amauri Ribeiro, da Assembleia Legislativa de Goias, confessou financiamento à bolsonaristas que ocupavam quartéis-generais do Exército; ele teve o celular apreendido

Por GABRIEL MANSUR

Deputado estadual Amauri Ribeiro

O deputado estadual Amauri Ribeiro (União-GO), que ganhou projeção nacional após confessar, durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), que financiou parte dos terroristas que ocupavam os quartéis-generais do Exército e, depois, atacaram os prédios dos Três Poderes, foi alvo, nesta terça-feira (29), da 15ª fase da Operação Lesa Pátria, que investiga os atos golpistas do 8 de Janeiro.

Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão em endereços ligados a ele em Goiânia e Piracanjuba, cidade da qual é ex-prefeito.

No dia 6 de junho, Amauri, ao defender o coronel da Polícia Militar de Goiás (PMGO) Benito Franco, que estava preso por conta de um vídeo em que afirmava que Lula "não tomaria posse", declarou que também "deveria estar preso" porque, segundo ele, "ajudou a bancar quem estava lá". Franco foi solto no dia seguinte, 7 de junho, após dois meses encarcerado. Já Ribeiro entrou de fato na mira da PF. Demóstenes Torres, advogado do deputado, disse que o celular dele foi apreendido.

"Eu ajudei a bancar quem estava lá [...]. Eu ajudei, levei comida, levei água, dei dinheiro. Mandem me prender, eu sou um bandido, um terrorista, um canalha, na visão de vocês", completou, em tom de ironia. Veja o vídeo abaixo:

Posteriormente, Ribeiro disse que a fala foi “distorcida” e “retirada de contexto”. O deputado chegou a pedir para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar um "eventual pedido de prisão" que fosse apresentado contra ele.

Polêmicas na vida publica

O parlamentar coleciona polêmicas ao longo da trajetória política. Em 2021, por exemplo, afirmou que a vereadora de Goiânia Luciula do Recanto (PSD) merecia "um tiro na cara", o que rendeu uma investigação na Polícia Civil. Na ocasião, ele ameaçou a parlamentar, militante da causa animal, por supostamente ter invadido uma casa para salvar um cachorro vítima de maus tratos.

"Eu fico ‘puto’ quando vejo uma vereadora invadindo a casa de um cidadão, igual essa vereadora de Goiânia aí, que se diz protetora de animais. Arrebenta um portão da casa de cidadão sem mandado, sem ordem judicial, porque ela não é polícia, nem com ordem ela podia, e invade uma casa. Pra mim, merecia um tiro na cara" disse o deputado.

Neste ano, ele se tornou réu por racismo após postar foto de mão branca apertando punho negro com frase: 'Na minha família não'. A imagem foi veiculada em seu Instagram em abril de 2022 e gerou uma investigação do Ministério Público acatada pela Justiça.

Amauri também viralizou nas redes sociais, em 2019, por tomar posse na Alego com a mulher Cristhiane Rodrigues Gomes Ribeiro, de 41 anos, sentada em sua perna esquerda. Ele fez pouco caso da situação e afirmou “é muito comum minha esposa sentar em meu colo em qualquer evento que vou na cidade”.

As polêmicas decorrem desde antes de se tornar deputado estadual. Quando era vereador, partiu para cima de um colega da oposição que tinha deficiência física, porque discordou de sua fala, que denunciava funcionários-fantasmas na prefeitura. Em outra ocasião, agrediu um homem numa obra, quando soube que a “peãozada” não estava recebendo.

“Eu danei com ele, que era uma bichona doida. O rapaz veio para meu rumo, eu tomei a enxada e contive ele. Coloquei ele no chão, não dei um tapa. Levaram o cara no corpo de delito e até hoje não sei como ele está vivo, de tantos machucados que apareceram”, ironizou.

No meio do mandato de prefeito, bateu em sua filha de 16 anos — que denunciou o caso à polícia — ao flagrar no celular fotos íntimas dela com um namorado, para “garantir os bons costumes”. O caso foi parar em todos os jornais da região.