PF descobre segurança de Lula em grupo com militares golpistas; GSI exonera

Descoberta turbinou a guerra de desconfiança nos bastidores entre a Polícia Federal e o GSI

Por GABRIEL MANSUR

O tenente-coronel André Luis Cruz Correira

Um segurança da escolta pessoal do presidente Lula (PT) estava em um grupo de WhatsApp - com militares da ativa - que discutia um golpe de Estado no país. A Polícia Federal descobriu a 'trama' durante perícia no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são da jornalista Andréia Sadi.

Trata-se, segundo os investigadores, do tenente-coronel André Luis Cruz Correia. Como integrante da segurança presidencial de Lula, o militar já viajou com o presidente em cinco ocasiões diferentes:

Bruxelas, na Bélgica, de 15 a 20 de julho;
Letícia, na Colômbia, em 8 de julho;
Puerto Iguazu, na Argentina, de 3 a 4 de julho;
Ilhéus, na Bahia, de 2 a 3 de julho;
e São Paulo, de 22 a 23 de junho.

Após a descoberta, a PF levou a informação ao Palácio do Planalto, que mandou demitir o militar. Correia era subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e, segundo integrantes do governo, atuava na segurança direta de Lula. Apesar da exoneração, o ministro do GSI, general Marcos Antônio Amaro dos Santos, negou conhecer a informação de que Correia integrava o grupo citado. Ele não explicou, porém, a exoneração do tenente-coronel.

Ainda segundo Sadi, o militar teria se mudado da Bahia para Brasília em março, quando passou a integrar a equipe de segurança de Lula, após pedir ajuda de Mauro Cid. Amaro também nega a informação e diz que o ex-ajudante de ordens não conseguiria executar tal solicitação.

A descoberta sobre Correia no grupo de WhatsApp golpista turbinou a guerra de desconfiança nos bastidores entre a Polícia Federal e o GSI. A PF defende, desde o ano passado, que a segurança presidencial seja feita pela corporação. No início do ano, a escolta chegou a ser feita pela PF, mas, para evitar desgaste com militares, Lula ordenou um modelo híbrido: com GSI no comando.

Nos bastidores, o GSI trata o episódio envolvendo Correia como mais um capítulo dessa briga. No entanto, integrantes do gabinete pontuam que ainda não é possível saber se ele participou ativamente dos diálogos que, além de um golpe contra Lula, faziam ataques diretos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.