Novo advogado de Mauro Cid joga Bolsonaro aos leões: 'Alguém mandou, ele é só o assessor'
Criminalista Cezar Roberto Bitencourt, doutor em Direito Penal, foi contratado pela família do militar nesta terça-feira
Depois de perder dois advogados durante o período em que está preso, no Batalhão da Polícia do Exército de Brasília, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), agora conta com um novo representante de sua defesa: o advogado criminalista Cezar Roberto Bitencourt, doutor em Direito Penal, contratado pela família do militar nesta terça-feira (15).
Ao assumir a defesa, Cezar deu a entender que vai transferir a responsabilidade dos supostos crimes ao chefe de Cid, no caso o ex-presidente.
"[Mauro Cid] é um militar, mas é um assessor. O assessor cumpre ordens do chefe. Assessor militar com muito mais razão. O civil pode até se desviar, mas o militar tem por formação essa obediência hierárquica. Então, alguém mandou, alguém determinou. Ele é só o assessor. Assessor faz o que? Assessora, cumpre ordens, determinações", disse Bitencourt em entrevista à GloboNews na manhã desta quarta-feira (16), quando salientou que "militar cumpre até ordem ilegal".
O advogado salientou que ainda não conhece e deve ter o primeiro contato com Mauro Cid, nesta quarta. Na entrevista, ele também afirmou que o tenente-coronel é "o grande injustiçado" do caso.
"Grande injustiçado duplamente porque ele está recolhido e está recolhido dentro do Exército. Normalmente quando as pessoas - senadores, políticos, pessoas importantes - são colocados para ficar em uma guarnição militar, eles ficam com liberdade dentro dessa guarnição, o que não está acontecendo com o Mauro. É um absurdo que o Mauro esteja trancafiado dentro de uma cela dentro do Exército", disse.
Contato com a família
Bitencourt disse ainda que assumiu o caso a partir de um contato feito por um membro da família de Mauro Cid com conhecimento em Direito e que conhecia seu trabalho.
A contratação do jurista - autor de extensa obra interpretativa sobre o Tratado de Direito Penal - acontece após o pai do tenente coronel, o general Mauro Cesar Lourena Cid, romper com Bolsonaro, de quem é amigo desde os tempos em que os dois foram alunos da Academia Militar de Agulhas Negras, a Aman, nos anos 1970.