Eduardo Bolsonaro publica vídeo com alerta de desinformação do Instagram

"Verificadores de factos independentes indicam que as informações nesta publicação têm falta de contexto e podem enganar as pessoas", avisa plataforma

Por GABRIEL MANSUR

O deputado federal Eduardo Bolsonaro

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP) fez uma publicação em seu Instagram, neste domingo (21), em que exalta as medidas que seu pai adotou enquanto ocupava a Presidência para combater a pandemia da Covid-19 no país.

Na legenda, o parlamentar escreveu: "verdades que só podem ser ditas aqui nas redes fora de época eleitoral".

Só que a postagem vem com um aviso da própria plataforma sobre desinformação. Em letras grifadas em vermelho, acompanhadas de um sinal de alerta, o aplicativo informa: "contexto em falta. As mesmas informações foram revistas por verificadores de factos independentes noutra publicação". Ao clicar na letra, surge o complemento do texto:

"Poderão haver (sic) pequenas diferenças. Os verificadores de factos independentes indicam que as informações nesta publicação têm falta de contexto e podem enganar as pessoas".

Entenda abaixo

No vídeo compartilhado, que já conta com mais de 62 mil curtidas e quase quatro mil comentários, o ex-presidente está no debate da Band e afirma que "em fevereiro de 2020 nós decretamos estado de emergência no Brasil".

O vídeo é editado. Na cena seguinte, para comprovar a fala de Bolsonaro, aparece a apresentadora da Rede Globo Renata Vasconcellos, durante a edição do Jornal Nacional exibido em 4 de fevereiro de 2020, noticiando que "o governo federal decretou hoje oficialmente emergência sanitária".
Para contextualizar, como nota do JB, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o vírus constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) em 30 de janeiro.

Em outro corte, volta o Bolsonaro para o debate da Band: "A TV Globo, com todo seu conglomerado, com seu Drauzio Varella, começaram (sic) a falar exatamente o contrário." É nesse momento que, segundo o "Estadão Verifica", se dá a desinformação.

Porque em mais um corte, aparece o doutor Drauzio Varella, num vídeo publicado em 2 de fevereiro de 2020, isto é, dois dias antes do Brasil decretar estado de emergência e 25 dias antes do primeiro caso da doença ser registrado no Brasil, afirmando que "não há motivo para ficar apavorado".

Drauzio ainda orientou, no vídeo, que a vida poderia ser levada normalmente, "assim como eu estou fazendo", reforçou.

Em mais um corte, volta o Bolsonaro na Band: "E quem falou em gripezinha foi lá". Essa fala também faz referência a Drauzio, que num outro vídeo, publicado em 30 de janeiro de 2020, apenas um mês após o primeiro caso no mundo ser descoberto e no mesmo dia que a OMS decretou espii, fala que, "a cada 100 pessoas que pegam o vírus, 90 tem um resfriadinho de nada".

Esse vídeo começou a circular no Facebook em agosto de 2020, depois em outubro de 2021, quando verificadores de fatos independentes já apontavam a desinformação. Segundo a checagem, "todas (falas) foram ditas no começo da pandemia ou antes de o novo coronavírus ser detectado no País, quando se sabia pouco sobre a doença".

Acrescenta ainda que "sem essa informação, a postagem passa a mensagem de que todos os citados estariam diminuindo a gravidade do vírus".

Numa live de 6 de maio, o próprio Drauzio Varella lembrou que quando o novo coronavírus surgiu na China, as pessoas e a comunidade científica não tinham ideia do que ele representava de fato, mesmo porque a China não divulgava informações consistentes no início.

“Quando começou a gente não tinha noção do que era, porque a informação vinda na China é complicada, os chineses censuram até a internet. Então os dados chegavam distorcidos. E eles apresentavam o novo coronavírus como causador de um resfriado – outros coronavírus causam resfriado – e que, em alguns casos, especialmente em pessoas mais velhas, a mortalidade era razoável. Mesmo assim diziam que não era tão alta assim, era mais elevada para quem tinha mais de 80 anos", disse na época.

O mundo ficou mais ou menos tranquilo com essa informação, revelou o médico.

"Eu também fiquei tranquilo, cheguei a dizer naquela época que isso não seria um grande problema para o Brasil. Hoje eu tenho remorso de ter dito isso. Eu me recrimino por ter falado tal coisa".

Sobre o vídeo que voltou a circular nas redes sociais meses depois, já com a pandemia atingindo o Brasil, como se fosse atual, Varella já se retratou algumas vezes e pediu para que o vídeo antigo fosse retirado do ar pelo YouTube, no que foi atendido.

Varella destaca que o mundo veio a conhecer a epidemia de fato apenas quando ela chegou na Itália, no fim de fevereiro.

“Quando a doença começou a lotar as UTIs na Itália, um país com liberdade de informação, o cenário mudou. Passamos a ver aquelas cenas dramáticas de UTIs lotadas, caminhões frigoríficos cheios de corpos”, assinalou.