Não haverá escapatória para André Mendonça
A Piauí cruzou os contratos do Iter com emendas parlamentares de Cezinha da Madureira (PL), candidato a sócio do Iter
A reportagem da revista Piauí “O instituto de Mendonça' é definitiva. Nem corporativismo, nem blindagem do Congresso conseguirá salvar André Mendonça.
A reportagem foi atrás de dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, do Portal de Transparência da Controladoria Geral da União, e completou o levantamento parcial sobre os negócios do Iter – o Instituto criado por André Mendonça.
Até agora, o Jornal GGN havia mostrado cinco contratos com entidades ligadas aos recursos de previdência aportados no Banco Master. O que a Piauí fez foi cruzar os contratos do Iter com emendas parlamentares de Cezinha da Madureira (PL-SP), parceiro incondicional de Mendonça, e candidato a sócio do Iter.
Emendas de Cezinha de Madureira (PL-SP)
Dos 61 municípios paulistas que contrataram o Iter, 30 receberam emendas do deputado, que tem posição no negócio: pagou R$ 19.353 de “sinal” para comprar 4% do instituto.
Esses 30 municípios empenharam R$ 1,45 milhão no Iter e receberam R$ 59 milhões em emendas de Cezinha (2021–2026). Casos citados: Embu das Artes (R$ 16,6 mi em emendas, R$ 295,7 mil ao Iter), Cajamar (R$ 12,9 mi / ~R$ 48 mil somando prefeitura e Câmara), Taboão da Serra, Miracatu, Leme, Itariri.
Em 16 dos 30, o primeiro empenho ao Iter é anterior à primeira emenda; em 9, do mesmo ano; em 5, posterior (2 a 3 anos depois).
O consórcio Cioeste (14 municípios) contratou o Iter por R$ 1,23 milhão (Escola de Governo). Mendonça deu aula magna no lançamento, com Cezinha na mesa. Somando prefeituras e consórcio: ~R$ 2,68 milhões.
José Nagliatti, cunhado de Mendonça, é secretário parlamentar no gabinete de Cezinha e recepciona potenciais parceiros do instituto. Cezinha diz que ele só faz apoio à agenda parlamentar.
Alcance geral do Iter: entre maio/2024 e set/2026, 74 registros de contratação direta, 30 contratos e 44 notas de empenho com 55 entidades (~R$ 12 milhões contratados).
Clientes: FDE (governo SP, R$ 1,63 mi), Cemig (R$ 265 mil), Prefeitura de SP (R$ 380 mil, sem licitação), Conselho Federal de Contabilidade (R$ 1,73 mi, incluindo curso de oratória ministrado pelo próprio ministro), entre outros. Os contratos não demonstram remuneração pessoal a Mendonça. Seu gabinete diz que ele jamais teve lucro; ele anunciou desligamento em set/2026, e o instituto virará entidade sem fins lucrativos.
Ainda não entraram nessa conta os contratos com entidades privadas. Como o Jornal GGN revelou, apenas nos três dias que cercaram a ida de Daniel Vorcaro ao Iter, o instituto emitiu 37 notas fiscais – ainda sigilosas, devido a não obrigatoriedade de publicar, como os contratos com entidades públicas.
Luis Nassif. Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN. luis.nassif@gmail.com