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Felicidade: o que é?

Por CRISTIANA AGUIAR

Você sabia que parte significativa da nossa predisposição à felicidade tem relação com a genética? Pois é! De acordo com a ciência da felicidade, nossa felicidade seria composta, aproximadamente, da seguinte forma: 50% por fatores genéticos, 10% por circunstâncias e 40% por atitudes.

É interessante pensar que passamos a vida inteira “correndo atrás” de algumas realizações que agregam apenas uma parcela pequena ao nosso nível de felicidade que, muito embora sejam relevantes e ocupem seu lugar, não são suficientes.

É bem verdade também que, em se tratando das atribuições genéticas, não podemos desconsiderar a epigenética (ciência que estuda as alterações na expressão dos genes influenciadas por fatores como escolhas e estilo de vida). Ou seja, podemos tomar atitudes que influenciarão positiva ou negativamente nossa predisposição em sermos felizes.

E o que é ser feliz, então?

Para construir um caminho de resposta para essa pergunta, começo refletindo sobre o que não traz felicidade.

Ir contra os nossos valores, fazer as coisas exclusivamente para agradar aos outros em detrimento da satisfação pessoal, não se permitir usufruir de momentos de descontração, e aqui não me refiro a um convite à irresponsabilidade, mas a um incentivo para fazermos escolhas que tornem a vida mais leve, não valorizar amizades e não expressar sentimentos encabeçam a lista da “receita” contra a felicidade.

É intrigante perceber que, apesar de estarmos sempre em busca da felicidade, muitas vezes fazemos coisas que nos afastam dela.

O mau gerenciamento do estresse também é uma delas.

Existem coisas que controlamos, outras que podemos influenciar e algumas sobre as quais não temos a mínima gestão. Elencar aquilo que nos estressa e encaminhar cada situação para essas diferentes esferas de raciocínio pode diminuir significativamente nosso nível de estresse e, consequentemente, baixar a carga emocional.

Outra atitude relevante, que pode nos auxiliar bastante, é percorrer o caminho do autoconhecimento.

Reconhecer os gatilhos que roubam a nossa paz, saber o que nos irrita e identificar quais reações determinadas situações provocam em nós nos ajudam, muitas vezes, a elaborar uma rota de fuga.

Abrindo um parêntese: diante de certos convites que nos chegam, o melhor que podemos fazer é fugir.

Voltando ao estresse, o grande “X” da questão é que, de acordo com diferentes estudos da psicologia, nós, seres humanos, em certo sentido, podemos até gostar do desconforto. Ele é viciante!

Nosso cérebro tem facilidade de focar no disfuncional.

Imagine a seguinte situação: uma colega de trabalho acordou pela manhã com saúde, tomou um café da manhã agradável e gostoso, despediu-se da família com um beijo e recebeu o aconchego do seu pet. No caminho para o trabalho, percebeu que havia esquecido os óculos escuros em casa.

Muito provavelmente, ao encontrar você no trabalho, o comentário será:

“Puxa vida, hoje esqueci meus óculos escuros em casa.”

O disfuncional foi mais marcante. O que saiu do lugar foi mais expressivo do que tudo aquilo que funcionou.

Para desconstruir essa mentalidade, como em tudo na vida, primeiro é preciso tomar consciência. Depois, é necessário confrontar uma realidade que já convenceu a mente, mas que agora precisa também alcançar o coração.

Quer um antídoto contra o sucumbimento diante do estresse?

Dimensione corretamente a realidade, sem hiperfocar nos problemas, e esperance em relação ao futuro.

Esperançar é esperar caminhando.

Mas e quanto à felicidade? Existe uma receita?

Não ouso dizer que sim, mas acredito em alguns caminhos.

Olhar para trás como referência, mas nunca estagnar. Não somos definidos pelos nossos acertos, nem tampouco pelos nossos erros.

Continuar acreditando que o impossível pode acontecer.

Ter resiliência diante daquilo que não podemos mudar ou daquilo que já está estabelecido.

Não olhar tanto para o próprio umbigo.

E, por fim, trazer humor para a vida. Rir de si mesmo, às vezes, faz bem.

Um fato curioso é que Jesus, nos Evangelhos, traçou um caminho para falar sobre quem são as pessoas felizes e incluiu os que choram, revelando a nós que a tristeza não precisa determinar a vida e que o consolo devolve a felicidade.

O fim do ano se aproxima, trazendo lembranças boas e ruins, metas e objetivos alcançados, outros que ainda não encontraram o seu tempo. O importante é persistir na rota certa.

Felicidade é não desistir de si mesmo e nem do outro.

Cristiana Aguiar é economista, especialista em Gestão de Negócios e Pessoas e CEO da Jeito Certo Consultoria.