A coragem de mudar

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Por CRISTIANA AGUIAR

Mudar nunca foi fácil!

Há quem discorde desta frase, se levar em consideração apenas as mudanças desejadas, aquelas aguardadas e bem guardadas no coração. Mas não são sobre essas transformações que estou me referindo. Falo a respeito das modificações que, algumas vezes, fazem guerra contra a alma.

Nem toda virada de direção é desejada, mas muitas são necessárias. O ser humano se inquieta, se agita com a possibilidade da invasão do desconhecido. Não é fácil mudar o rumo das iniciativas corriqueiras, nem tampouco alçar novas direções.

Recentemente, li um artigo sobre os benefícios de sair da zona de conforto. Ele trazia a provocação sobre existirem ou não benefícios reais em sair desse lugar. Concluí que, para os que têm coragem, adentrar novos desafios aumenta a envergadura da resiliência e ajuda a enfrentar situações futuras com mais confiança, gerando experiências que desenvolvem a perseverança, tornando a pessoa mais forte e com histórias inspiradoras para contar.

E, no mundo corporativo, como processamos as mudanças?

De acordo com alguns estudos sobre gestão de mudanças, os principais pilares para que a "guinada" empresarial dê certo são: conscientização, apoio das lideranças e previsibilidade das rotinas.

É muito importante fazer uma conexão entre o que vai acontecer e o que os colaboradores almejam. Trabalhar o desejo pode parecer utopia, mas é possível e relevante.

Todo indivíduo tem seu próprio tempo para a maturação das novas ideias e para o convencimento em relação às mudanças. Contudo, lideranças que prezam por um bom clima organizacional e que engajam seus times conseguem alinhar essa curva, principalmente quando alicerçadas por uma cultura organizacional saudável.

A gestão de mudanças não precisa ser um "bicho de sete cabeças"; pode ser vivenciada com leveza, desde que analisemos criteriosamente seus pontos fracos e atuemos para combatê-los.

Alguns dos principais desafios são o medo que os colaboradores têm de trabalhar mais, o receio de perder o emprego e a preocupação com a relevância do próprio trabalho. Contudo, quanto mais conhecimento tiverem, menos dúvidas terão.

É preciso definir as metas desejadas, que podem ser: redução de custos, aumento da produtividade e da eficiência, maior participação no mercado, clientes mais satisfeitos etc. O importante é comunicar.

Saber por que e como mudar fará toda a diferença.

Nas instituições, essas perguntas precisam ser respondidas. É necessário enxergar claramente a missão e a visão, compreendendo quais valores são carregados.
A questão é que muitas empresas se preocupam em cumprir protocolos e se esquecem do que realmente importa. As políticas são feitas para as pessoas ou as pessoas são feitas para as políticas?

Ilustrando essa ideia, certa vez, em um dia muito frio, minha filha caçula esqueceu o casaco no carro quando a deixei na escola. Ao perceber a situação, parei o carro e fui entregar o casaco na secretaria do colégio. Para minha surpresa, naquela instituição a política era mais importante do que a criança, e minha filha precisou passar frio.

Será que paramos para pensar nos porquês? Na razão de determinadas práticas, seja no âmbito profissional ou pessoal?

Instituições que não traçam rotas de mudança tendem a perder competitividade. E quanto às pessoas?

Entender que estamos em constante mudança nos ajuda a vivenciar os momentos da vida com mais sabedoria e a desenhar as transformações que gostaríamos de viver.
É necessário fazer uma viagem para dentro de si e encontrar os melhores roteiros. Para esses destinos, não há agentes de viagens e talvez não encontremos dicas anteriores, mas certamente podemos encontrar uma jornada que nos faça resplandecer.

Quanto à questão levantada no artigo, vale a pena sair da zona de conforto? Sim, creio que vale, pois a mesmice não deve ser considerada conforto; talvez possa ser apenas preguiça.

Correndo o risco de finalizar com um chavão, mas acreditando que ele faz sentido, a vida deve ser vivida com intensidade e sabedoria. Devemos dar a ela cor, sabor, cheiro e tempero.

Que não sejamos guiados pelo medo, nossa companhia deve ser a prudência.
Que possamos não temer as mudanças. Assim como as escolhas, elas são inevitáveis!


Cristiana Aguiar é economista. Especialista em Gestão Empresarial e de Pessoas Fundadora da Jeito Certo Consultoria.