ARTIGOS

A hora de uma nova indústria

Por CELSO PANSERA e FERNANDO PEREGRINO

Publicado em 16/01/2024 às 19:55

Alterado em 16/01/2024 às 19:55

A Finep foi designada para coordenar 11 seminários sobre a contribuição da ciência a uma nova base industrial do País, chamada de neoindustrialização.

A neoindustrialização é usada como como base para o plano atual do Governo Federal.
É um processo de modernização e evolução da indústria, intensiva em conhecimento, sustentável e de baixa emissão de carbono.

Os seminários que a Finep promove, desde dezembro e que irão até fevereiro, são parte da preparação da V Conferencia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação - VCNCTI, a ser realizada em junho de 2024, convocada pelo Presidente Lula e organizada sob a direção da Ministra da Ciencia e Tecnologia, Luciana Santos.

A última Conferência não se realizava há 14 anos.

O momento de retomá-la é o melhor.

Depois de um período de obscurantismo, de escassez de meios para a ciência, e de ameaça ao livre debate, o País vive um momento de inusitado apoio às atividades de pesquisa e inovação nas universidades, de financiamento a empresas tecnológicas e por meio de recursos anuais de 10 bilhões de reais, operados pela própria Finep.

Embora positivos, esses fatos, são, ainda, insuficientes para um país que tem, de acordo com dados oficiais, pelo menos 30 milhões de pessoas com fome.

O Brasil é um dos maiores exportadores do mundo de produtos agrícolas, como soja e carne, entre outros.
Grande exportador de minerais estratégicos, o país importa, no entanto, semicondutores produzidos com esses materiais empregados largamente na indústria eletrônica.

Superavitário em petróleo bruto, o Brasil é importador de seus derivados, gasolina e diesel. Há algo faltante!

Para a Finep, que este ano completa 56 anos de existência, trata-se de um desafio oportuno o de coordenar esses seminários.

Afinal, a Finep é conhecedora da base tecnológica que ajudou a construir e assim pode mobilizá-la para impulsionar esse projeto de neoindustrialização do Pais. Basicamente trata-se de deixarmos de ser uma economia agrário-exportadora para produzir bens intensivos em conhecimento que nos remunere melhor e dignamente no comercio exterior. Para, com isso, consigamos financiar as políticas públicas
estratégicas, como a Educação e a Saúde.

De fato, a Indústria é uma atividade humana estratégica, pois é ela que, por natureza, gera riqueza ao transformar matéria-prima em bens necessários à sociedade, com o uso da tecnologia, da energia e do trabalho.

Nem todos os países podem alcançar esse patamar.

Apenas 63 economias do mundo são consideradas industrializadas.

Essas economias industrializadas abrangem, apenas, 20% da população do planeta, segundo a UNIDO. Portanto, há muita coisa a fazer.

Os seminários organizados pela Finep, com apoio do MCTI, CNI-MEI, ABIPTI, CNDI, BNDES, Anpei, entre outros, serão eventos para discussão de temas, como o da indústria biotecnológica, o impacto da Inteligência Artificial no sistema produtivo, a imperiosa transição energética, a bioeconomia, a descarbonização e a segurança alimentar.

Também vamos debater sobre o Estado que queremos, e, sobretudo, sobre a importância da mobilização da sociedade. Os seminários mapearão obstáculos e colherão sugestões para superá-los por meio de duas perguntas endereçadas aos participantes.

A primeira questão é sobre como está o Brasil no tema abordado?

A segunda é : Como superar os obstáculos?

Ou seja, em ultima instancia, o objetivo é o de ajudar na formação de uma consciência social para uma mudança transformadora, como requerem a nossa economia e a nossa sociedade.

A verdade é que o país já tem diagnóstico e propostas em abundancia.

O que falta, agora, é que sejamos efetivos. Para realizar as políticas públicas que necessitamos para dar um salto para uma nova base industrial, tecnológica e sustentável.

 

Celso Pansera é presidente da Finep

Fernando Peregrino é chefe de gabinete da presidência da Financiadora de Estudos e Projetos.

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