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Ano Novo?

Por ADHEMAR BAHADIAN
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Publicado em 31/12/2023 às 09:03

Alterado em 31/12/2023 às 09:03

Desejo a vocês um ano novo. Sinceramente um ano realmente novo, tão novo que possamos curtir cada um de seus 366 dias. Talvez seja difícil, mas não custa tentar. O cronograma politico universal assusta, mas pode surpreender. Que Milei seja a última estrela cadente de um borrascoso ciclo de acidentes a fechar os abissais problemas que nos trouxeram uma globalização assimétrica e uma pandemia assassina.

Nosso Brasil carece de um exame sincero de nossos objetivos e de nossa responsabilidade diante de uma parcela importante de nossa população até hoje em estado de carência alimentar , sanitária e escolar. Nos acostumamos com a desgraça implícita em alguns conceitos como o de “ Dois Brasis” ou “ Belindia” que por mais criativos sejam, apenas nos aparafusam num cérebro tacanho um conformismo e uma indiferença falsamente apaziguadoras. Hoje, um Brasil tem medo do outro.

E, sejamos francos neste último dia do ano, nosso medo do outro está nos fazendo levantar muros entre nós como Trump sugere separar os Estados Unidos da América de imigrantes que para lá se dirigem como hordas de penitentes. Aqui há quem confunda miséria com parasitismo.

Circulam conceitos estereotipados como o de “ conservador “ que se tornou sinônimo de ultrapassado como se não fosse possível ser conservador em política sem que para isso se tenha que assumir um ideário politico de extremo reacionarismo.

É absolutamente legítimo defender valores conservadores e optar por costumes e visões de família , ditadas por nossa educação sem que para isso a opção política tenha que ser antidemocrática ou até mesmo totalitária.

Assim como o fato de ser ateu ou evangélico não nos deva separar como água e lama e faça de nossa convivência política uma impossibilidade matemática. Quanto mais lermos os preceitos de nossa Constituição de 1988, mais veremos o compromisso dela com a tolerância e o respeito ao outro. Homens unidimensionais são os quase-autômatos de que se servem os totalitários. As sociedades pensadas por nazistas e fascistas não admitem a diversidade de pensamento. Hitler queimou em praça pública os melhores autores do pensamento jurídico e filosófico alemão.

A recrudescência da nova extrema-direita na Europa e nos Estados Unidos da América ,em grande parte decorre das sementes falsamente libertárias trazidas por um neoliberalismo de cunho absolutamente monetarista revestido de ideais de comércio livre e de livre circulação de pessoas, que se mostrou na realidade desagregador, rompendo de forma autocrática com as redes de segurança de proteção ao emprego e ao salário, em nome de um empreendedorismo de ciclistas e motoqueiros a se espatifarem diariamente nos asfaltos de nossas cidades.

Os propósitos de líderes como Trump são falsamente libertários ao proporem uma volta ao passado “ em que cada um conhece o seu lugar”. Daí ser uma política racista, anti-imigrantes, quase neocolonialista antes de ser sobretudo em favor de um sistema internacional de cooptações e zonas de influência.

A arrogância com que Trump enfrenta e desacata as Cortes americanas só é possível porque Trump joga com a nova ameaça ao poderio americano surgido com a ascensão da China, poderio este alimentado pelo próprio neoliberalismo e sua busca exacerbada pelo lucro imediato e persistente, inclusive com a transferência de tecnologia para fomentar o desenvolvimento chinês.

Quando Trump estigmatiza a tecnologia “ amarela” como comunista ,esquece de dizer que foram as” apples” da vida que fomentaram uma linha de produção de mão de obra barata. Apenas se esqueceram que a política de desenvolvimento chinês mostrou-se capitalista demais para ser aceitável pelos grande patronato multinacional.

O desafio que nos trará um novo governo Trump é impensável. Não será surpresa se a nova política econômica americana nos criar empecilhos para nosso comércio com a China. O agronegócio deveria pensar um pouco nesses desdobramentos em sua estratégia política interna. Mas, quem sou eu para me arvorar em profeta do infortúnio.

O que me parece evidente é que 2024 não será um ano para aprofundarmos nossas dissensões . Temos muito para dar certo. Mas, se prevalecer a teoria do “ meu pirão primeiro” corremos o sério risco de transformar o “ O Brasil de amanhã “ no Brasil eternamente deitado em berço esplêndido.

O Bom Ano está em nossas mãos.

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