Pesquisadores registram baixa natalidade de jubartes em Abrolhos
Proporção de filhotes ficou bem abaixo da média histórica, segundo monitoramento diário e cruzeiros científicos
A temporada de baleias-jubarte no Brasil registrou um número muito abaixo do esperado de filhotes neste ano. Em Abrolhos, no sul da Bahia, área conhecida como a principal maternidade da espécie no país, a proporção observada até setembro ficou em 3,35%, bem inferior à média histórica de quase 10% monitorada desde 2014.
O Instituto Baleia Jubarte avalia que a queda pode estar ligada ao aquecimento global. A suspeita é de que as mudanças climáticas estejam afetando a oferta de krill na Antártida, alimento quase exclusivo das jubartes, o que impacta a condição corporal das fêmeas e pode reduzir a fertilidade ou comprometer a gestação.
Alimentação na Antártida influencia a reprodução
As jubartes percorrem cerca de 4 mil quilômetros todos os anos, da Antártida ao litoral da Bahia, para acasalar e dar à luz. Como não costumam se alimentar durante a viagem, precisam acumular gordura suficiente antes da migração, especialmente as fêmeas gestantes, que depois terão de amamentar os filhotes.
Segundo os pesquisadores, quando a baleia não se alimenta adequadamente na área de alimentação, chega mais debilitada à temporada reprodutiva. Isso pode afetar tanto o sucesso do acasalamento quanto a sobrevivência dos filhotes, tornando a baixa natalidade um sinal de alerta para a espécie.
Monitoramento indica temporada mais curta e menos filhotes
Os dados usados pelo instituto vêm de monitoramento diário feito ao longo de um mesmo trajeto entre a Bahia e o Espírito Santo, além de cruzeiros científicos em Abrolhos. Neste ano, foram contabilizados 431 indivíduos nos cruzeiros, sendo 42 filhotes, número também abaixo do esperado.
Com menos nascimentos, a temporada tende a terminar mais cedo. Normalmente, as jubartes aparecem no Brasil a partir de junho, com pico entre julho e outubro, e seguem até novembro. Quando há poucos filhotes, a permanência das mães no litoral diminui, encurtando o período de observação.
Encalhes mudam de padrão no litoral brasileiro
Os pesquisadores também identificaram mudanças na distribuição dos encalhes. Em vez de Bahia e Espírito Santo, como costuma ocorrer, os estados com mais registros neste ano foram Santa Catarina e São Paulo, em razão da maior presença de juvenis nas áreas mais ao sul.
Embora o número total de encalhes ainda seja menor que o do ano passado, o instituto alerta que o problema pode se intensificar futuramente se a baixa disponibilidade de krill continuar. Segundo os especialistas, os efeitos podem ser cumulativos e refletir no ciclo reprodutivo da próxima temporada. (com informações da Agência Brasil)