Desmatamento na Amazônia tem maior queda percentual já registrada

Dados oficiais indicam forte recuo em maio e reforçam a expectativa de novo recorde anual de preservação

Por JB AMBIENTAL

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o resultado é histórico porque maio costuma marcar o início da estação seca, período em que a pressão sobre a floresta normalmente aumenta

O desmatamento na Amazônia Legal teve redução de 61,4% em maio deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), divulgados pelo Inpe. Foram 370 quilômetros quadrados de supressão de vegetação, ante 960 quilômetros quadrados em maio do ano anterior, o que representa a maior queda percentual já registrada na região.

Fiscalização e monitoramento ambiental

Os números do Deter orientam as equipes de campo do Ibama e do ICMBio em ações de combate ao desmatamento. Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o resultado é histórico porque maio costuma marcar o início da estação seca, período em que a pressão sobre a floresta normalmente aumenta.

Capobianco afirmou que as operações de fiscalização, incluindo embargos remotos, ações em unidades de conservação federais, terras indígenas e assentamentos, foram decisivas para a queda observada. O governo considera que o controle do desmatamento na Amazônia está funcionando e espera fechar o próximo período anual, consolidado em 31 de julho, com o menor número da história.

Expectativa de novo recorde anual

No período acumulado de agosto de 2025 a maio de 2026, o desmatamento caiu 37,5% em relação ao intervalo anterior. A área desmatada foi de 2.189 quilômetros quadrados, também a menor já registrada, de acordo com o governo. Entre os alertas do Deter, 37,1% ocorreram em áreas regularizadas, 21,3% em florestas públicas não destinadas e 17,4% em áreas sem registro fundiário.

Já a taxa anual de desmatamento é calculada pelo Prodes, sistema que considera o período de agosto a julho. Segundo Capobianco, a expectativa é de que o próximo consolidado confirme o melhor resultado histórico da Amazônia, reforçando a eficácia das medidas ambientais adotadas pelo governo federal.

Cerrado também registra queda

O Inpe informou ainda que o Cerrado apresentou recuo de 12,2% no desmatamento em maio de 2026, em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de agosto de 2025 a maio deste ano, a queda foi de 8,2%, com 4.208 quilômetros quadrados desmatados. Nesse bioma, 73,4% da supressão ocorreu em propriedades privadas já regularizadas.

De acordo com os dados apresentados, 65% da área do Cerrado pode ser desmatada dentro das regras legais, o que significa que parte relevante da redução observada se refere a áreas com autorização prevista em lei.

Resposta às críticas dos Estados Unidos

O governo brasileiro também reagiu às acusações dos Estados Unidos, que citaram a persistência do desmatamento ilegal como justificativa para tarifas adicionais a produtos brasileiros. O USTR sugeriu uma taxação punitiva de 25% e alegou falhas na aplicação das regras ambientais no Brasil.

Capobianco e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram que os dados oficiais mostram o contrário, destacando o avanço do país no combate ao desmatamento. Lula reforçou que a meta do governo é zerar o desmatamento até 2030 e afirmou que a floresta em pé é mais vantajosa do que a devastação ambiental. O ministro também negou irregularidades na exportação de madeira, dizendo que toda a cadeia de custódia é monitorada.