Moraes bloqueia bens e R$ 6 bilhões de advogado amigo do Flávio
Ministro do STF ampliou as medidas cautelares contra Willer Tomaz em apuração que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos com Flávio Bolsonaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis do advogado Willer Tomaz, além do sequestro de R$ 6 bilhões das contas dele. A medida foi tomada no contexto de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao senador Flávio Bolsonaro.
Além do bloqueio patrimonial, Moraes também ordenou o cancelamento dos passaportes do advogado. O ministro considerou que houve viagem ao exterior depois de o investigado passar a ser alvo de apurações da Polícia Federal.
Investigação mira contas e empresas
O despacho também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Willer Tomaz e de suas empresas, incluindo a Alcazar Holding. As instituições financeiras deverão informar todos os correntistas vinculados às contas sob análise.
A PF tenta verificar se Flávio Bolsonaro efetivamente era usuário de contas ligadas ao advogado. Em e-mails apreendidos, uma funcionária teria pedido ao banco que o senador fosse descredenciado como “usuário master” de uma dessas contas.
Movimentação bilionária em apostas
O Ministério da Fazenda identificou que Willer Tomaz foi a pessoa que mais fez aportes em bets no Brasil em 2025. Segundo os dados, ele teria depositado R$ 258 milhões e realizado apostas que somaram R$ 5 bilhões.
As movimentações financeiras do advogado também são alvo de outro inquérito e da Operação Sem Desconto, que cumpriu busca e apreensão em agosto. Em uma das diligências, a PF encontrou uma sala secreta em um hangar da empresa de aviação de Willer, usada para guardar dinheiro vivo.
Defesa contesta medidas
Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que as determinações são desproporcionais e acusou a investigação de avançar sobre a vida pessoal e profissional do advogado sem provas conclusivas. Os advogados negam que Flávio Bolsonaro tenha movimentado valores nas contas do cliente.
A defesa também disse que o bloqueio bilionário não corresponde ao patrimônio do investigado e criticou o vazamento da decisão. Segundo os advogados, a medida representa punição antecipada sem acusação formal, processo ou condenação. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)