André Mendonça diz que Brasil perdeu oportunidade de ter ‘grande ministro do STF’; Boulos: 'Senado fica menor'

INFORME JB: É raro — quase excepcional — que figuras influentes da República, movidas por ideologias distintas, cheguem a um mesmo diagnóstico político. Foi o que se viu após a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF. De lados opostos, o ministro André Mendonça lamentou a decisão, enquanto o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi além: falou em "chantagem política". A coincidência não está na convergência de posições, mas no sintoma que ambos parecem reconhecer — ainda que por razões diferentes.

Por JB JURÍDICO e Política JB com Agência Estado

Ministro André Mendonça

Por Gabriel de Sousa - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça lamentou pelo X a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, à cadeira vaga na Corte. Segundo Mendonça, o Brasil perdeu a oportunidade de ter “um grande ministro” e que Messias preenche os requisitos constitucionais para compor o tribunal.

“Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais para ser Ministro do STF. Amigo verdadeiro não está presente nas festas; está presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!”, afirmou.

Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2021, apoiou publicamente a indicação de Messias para a Corte. Os dois são evangélicos.

Pela primeira vez em 132 anos, o Senado rejeitou a indicação presidencial para uma cadeira no STF. A última vez que isso ocorreu foi em 1894, durante o governo ditatorial de Floriano Peixoto. Messias foi rejeitado por 42 votos contrários e 34 favoráveis.

Boulos diz que Senado fica menor após rejeição de Messias

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi o primeiro ministro a se pronunciar sobre a derrota histórica sofrida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na indicação do advogado-geral Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). No X, Boulos disse que houve uma “aliança entre o bolsonarismo e a chantagem política”. Ele também disse que o Senado saiu menor do que chamou de “episódio lamentável”.

“A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável”.

A declaração de Boulos ocorreu 12 minutos após o telão do plenário do Senado indicar a derrota histórica da indicação de Messias ao STF. A última vez que houve uma rejeição foi em 1894, há 132 anos.

Messias foi rejeitado pelo placar de 42 votos contrários e 34 votos favoráveis no plenário. O resultado foi um balde d’água no governo Lula, cujos articuladores planejavam uma vitória por até 48 votos favoráveis. (por Gabriel Sousa)

Guimarães: Cabe ao governo aceitar resultado da indicação de Messias

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, minimizou nesta quarta-feira, 29, a rejeição à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o petista, cabe ao Senado explicar os motivos da decisão, mas que o governo aceita a decisão.

“Cabe agora ao Senado explicar as razões dessa desaprovação
e nós, evidentemente, aceitarmos o resultado com a maior serenidade possível.
Cabe ao presidente, é atribuição dele, como é atribuição do Senado julgar e aprovar indicações do presidente da República”, declarou Guimarães a jornalistas, após sessão do plenário.

Guimarães afirmou que Messias era o “melhor nome” e que reunia os requisitos exigidos para assumir uma cadeira na Corte. (por Naomi Matsui, Gabriel Hirabahasi, Lavínia Kaucz e Geovani Bucci)