Sob ameaça de impeachment, Barroso se retrata após fala política indevida no congresso da UNE

Ministro do STF também foi vaiado durante abertura do 59° Congresso da União Nacional dos Estudantes

Por GABRIEL MANSUR

Luís Roberto Barroso

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (Supremo Tribunal Federal), foi convidado para discursar durante abertura do 59° Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), nesta quarta-feira (12), em Brasília. Ao subir no palco, Barroso foi vaiado por um grupo de estudantes, que chamava o ministro de 'inimigo da enfermagem' e 'articulador do golpe de 2016'. Os estudantes também carregaram cartazes em defesa do piso.

Diante do protesto dos estudantes, o ministro defendeu o direito às manifestações, mas respondeu dizendo que 'derrotamos o bolsonarismo', a luta contra a ditadura militar (1964-1985) e a defesa da democracia

"Nós derrotamos a censura, nós derrotamos a tortura, nós derrotamos o bolsonarismo para permitir a democracia e a manifestação livre de todas as pessoas. Esse é o passado recente do qual estamos tentando nos livrar", acrescentou o ministro do STF.

O ministro acumula um histórico de polêmicas com aliados de Bolsonaro, incluindo a frase "perdeu mané, não amola", após ser hostilizado em Nova York. Os bolsonaristas mais ruidosos, como o deputado federal Carlos Jordy (PL), líder da oposição na Câmara, falam em pedir o impeachment do magistrado. Nikolas Ferreira foi na mesma toada.

"Se, por um milagre, houver justiça nesse país, a perda do cargo é inegável", afirmou o deputado Nikolas Ferreira (PL-RJ).

O desgaste levou o STF a divulgar uma nota nesta quinta (13) dizendo que, "como se extrai claramente do contexto", a fala de Barroso "referia-se ao voto popular e não à atuação de qualquer instituição". Mais tarde, foi o próprio ministro quem tentou se retratar. Ele disse que se referia "ao extremismo golpista".

“Na data de ontem, no Congresso da União Nacional dos Estudantes, utilizei a expressão ‘derrotamos o Bolsonarismo’, quando na verdade me referia ao extremismo golpista e violento que se manifestou no 8 de janeiro e que corresponde a uma minoria. Jamais pretendi ofender os 58 milhões de eleitores do ex-presidente nem criticar uma visão de mundo conservadora e democrática, que é perfeitamente legítima. Tenho o maior respeito por todos os eleitores e por todos os políticos democratas, sejam eles conservadores, liberais ou progressistas”, disse.

No evento da UNE, a manifestação contra Barroso foi organizada pelo grupo Faísca Revolucionária, que faz oposição à direção da entidade e é formado por estudantes trotskistas ligados ao Movimento Revolucionário de Trabalhadores.Segundo a direção da UNE, foi a primeira vez, desde a redemocratização, que o congresso recebeu um ministro do STF.

Após o evento, a presidente Bruna Brelaz repudiou o que chamou de "atitude antidemocrática de grupos minoritários". Afirmou que a entidade em toda a sua história se propôs a reunir "amplos setores sociais em defesa da democracia, da educação e do Brasil".

Histórico também contra Lula

Barroso também tem um histórico de condenações a Lula. Indicado à Corte pela então presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2013, o ministro teve um papel importante na inelegibilidade do atual presidente, em 2018. Barroso foi o relator do pedido de candidatura do petista, mas o reprovou. Outros cinco ministros seguiram esse entendimento, e o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu, por maioria de votos (6 a 1), o registro de candidatura.