Fumaça de governo faz PP e União descerem do muro
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Os partidos fisiologistas do Centrão vivem da perspectiva de participar do banquete de distribuição de cargos no governo entre os partidos que se aliam ao vencedor.
Em agosto, quando se encerraram as coligações partidárias e o presidente Lula liderava as pesquisas, com chances de ganhar no primeiro turno, nenhum dos partidos do Centrão se aliou abertamente a Flávio Bolsonaro ou a Lula - sua força no Nordeste interessava a caciques do Centrão.
Caciques posam de neutros
Enquanto negociavam aliança, ainda em aberto, os caciques do PP e União Brasil evitaram dar a mão a Flávio Bolsonaro, enrolado pelo desgaste do pedido de R$ 131 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark horse".
Também não se definiram o PSD de Gilberto Kassab, que tentou uma candidatura própria, a do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de quem foi vice, formando chapa puro sangue, nem o Republicanos, que é o braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo.
O MDB, velho de guerra, já fragmentado, manteve alguma aliança regional com o governo Lula no Norte e Nordeste.
Saiu fumaça, há fogo do poder
Não durou 30 horas do resultado da eleição do primeiro turno para os dois caciques do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e do União, o deputado federal Antônio Rueda, ao verem sinais de fumaça, perceberem poder de fogo em Flávio Bolsonaro a quem foram declarar apoio no 2º turno.
Ciro Nogueira é um chefe político derrotado nas duas vagas para o Senado no Piauí, que ficaram com senador reeleito Marcelo Castro (MDB) e com o veterano deputado federal Júlio Cesar (PSD), mais conhecido como "Julin di Lula"
Rueda, ligado ao esquema do ex-governador Cláudio Castro, se reelegeu deputado federal pelo União-RJ.
Flávio foi abraçar Caiado
Chegaram tarde. Flávio Bolsonaro nem ligou. Estava mais interessado em amarrar, em Goiânia, o apoio de Ronaldo Caiado, que terminou com 2,6 milhões de votos, cabedal maior que a diferença de 2,350 milhões de votos em relação a Lula.
Votos não se somam, se conquistam
Embora, haja espaço para os contendores do segundo turno mobilizarem parte dos 33,469 milhões de eleitores que não foram às urnas, ou reforçarem os cacifes pela simplificação da votação em 25 de outubro, votos não caem do céu, se conquistam com muita energia e propostas de futuro
Falta de alianças favoreceu PL
Tirando o Novo, 30 para governador e 300 para senador, o PL acabou sem alianças. Mas isso facilitou a avalanche de votos, sobretudo para o Senado, com a chapa fechada.
A realidade é que, para os demais partidos e alianças, houve muita confusão na hora do voto, para o eleitor. Muita gente errou voto para governador e senador. Apertando a sigla do presidente. No caso de Lula, atrapalhou; para Flávio, ajudou.
Rolo compressor
No Rio Grande do Sul, foram eleitos Sanderson PL (222) e Marcelo Van Hatten, Novo, (300), em Santa Catarina, a dupla do PL, idem em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Paraná deu Filipe Barros (da emenda Master), pelo PL, e Deltan Dallagnol pelo Novo. O rolo compressor foi facilitado.
Percalços da aliança
No RS, a chapa do campo da esquerda (Psol-PT) tinha os números 500 (Manuela D’Ávila) e 131 (Paulo Pimenta). Em São Paulo e no Rio de Janeiro era mais confusa.
Em SP, a ex-ministra Simone Tebet (PSB) tinha número 400 e a ex-ministro Marina Silva, da Rede, era 180.
No Rio, Bené era 131 e o Psol (Mônica Benício) era 500. Mas, havia coligação com Pedro Paulo (PDS), 555. Deu a dupla do PL.
A rigor, só foi fácil para o PT emplacar dois senadores na Bahia