Mendonça mandou grampear Jaques e não andou com caso contra Flavio Bolsonaro
No dicionário, prevaricação 'é o crime cometido por um servidor público que retarda, deixa de praticar ou realiza indevidamente um ato de ofício para satisfazer interesse ou sentimento pessoal'
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou, em 17 de junho de 2026, a interceptação telefônica do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito das investigações sobre o caso Master. A medida também inclui outros investigados, entre eles Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Ao mesmo tempo, nas redes sociais, o deputado petista Lindberg Faria diz que o inquérito do filme Dark Horse, que envolve o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, nas mãos de Mendonça desde julho, "não andou". "Mendonça não fez nada", enfatiza Lindberg.
Descobrimos o motivo do Mendonça não querer derrubar o sigilo do Dark Horse. Ele não fez nada, ele sentou em cima de tudo e ficou fazendo vazamento seletivo contra seus inimigos e protegendo Flávio Bolsonaro. É Revoltante! Ele tava segurando tudo pra não expor a si mesmo! pic.twitter.com/fV5P0WUUqN
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) September 12, 2026
De acordo com a Polícia Federal, a apuração no caso de Jaques Wagner reúne indícios de que a relação entre o parlamentar e os investigados era marcada por alto grau de confiança pessoal. Esse vínculo, segundo o relatório, teria criado um ambiente propício para tratativas reservadas de interesse do banco liquidado de Vorcaro.
Indícios apontados pela Polícia Federal
O relatório da PF afirma ainda que Jaques Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, em conexão com o Master. Entre os elementos citados estão a compra de um apartamento em Salvador em favor do senador, além de pagamentos, repasses e movimentações consideradas relevantes para a investigação.
Os investigadores também dizem ter identificado sinais de atuação de Wagner em temas de interesse do banco no Legislativo. Esses elementos foram reunidos para sustentar a adoção de medidas cautelares e aprofundar o monitoramento dos envolvidos.
Limites da interceptação autorizada
A decisão de André Mendonça não permite interceptar o conteúdo das comunicações telefônicas, telemáticas ou de mensagens. O monitoramento fica restrito a metadados, registros técnicos, ERBs, IMEIs, chamadas, SMS sem conteúdo e dados de conexão.
Na prática, isso significa que a apuração pode rastrear ligações, aparelhos utilizados e conexões, sem acesso ao teor das conversas. A informação consta em relatório da PF divulgado nesta sexta-feira (11), após determinação do presidente do STF, Edson Fachin, para que o sigilo de todos os documentos do caso fosse derrubado.