‘Mama África’! - exclama Chico Cesar ao ver o prejuízo da Casas Bahia

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Por Gilberto Menezes Côrtes

Nota da Ernest & Young, auditores independentes, contratada pela Casas Bahia para “revisar as informações financeiras intermediárias, individuais e consolidadas" da empresa, "contidas no Formulário de Informações Trimestrais (ITR) referente ao trimestre findo em 30 de junho de 2026”, dá bem a dimensão do prejuízo de R$ 11,181 bilhões da companhia no primeiro semestre deste ano.

O grupo Casas Bahia, inclui ainda o Ponto Frio, a rede de supermercados Extra, a Casas Bahia Pay (Instituição de Pagamentos que engloba o crediário do grupo), a Móveis Bartira e a CB Full, depois de fechar 298 lojas e demitir 1,9 mil funcionários, divulgou, neste domingo, o balanço do terceiro trimestre e dos primeiros seis meses de 2026. A companhia vai tentar recuperação extra judicial em acordo com os credores.

A EY lembra que, quando da apresentação do “Investor Day”, em março de 2026, (...), a dinâmica de capital de giro da Companhia (...), seu ciclo de caixa já apresentava aproximadamente 115 dias negativos”.

A situação só piorou de março para cá. E o cantor paraibano Chico Cesar, que ganhou fama com a música que fala das agruras de uma mãe solteira preta que trabalha como empacotadeira da Casas Bahia, poderia exclamar “Mama África!”, com o sentido inverso do musical “Mamma Mia!

EY fala em ‘incerteza relevante’

“Chamamos a atenção para a nota explicativa 1 às informações financeiras intermediárias individuais e consolidadas, que indica que a Companhia incorreu no prejuízo de R$ 11.181 milhões durante o período de seis meses findo em 30 de junho de 2026 e, conforme balanço patrimonial nessa data, o passivo circulante da Companhia excedeu o total do ativo circulante em R$ 11.972 milhões e R$ 7.837 milhões, individual e consolidado, respectivamente, e o patrimônio líquido negativo era de R$ 8.270 milhões”, diz o parecer da EY.

“Conforme divulgado pela Administração, esses eventos ou condições, juntamente com outros assuntos descritos na referida nota explicativa, indicam a existência de ‘incerteza relevante’ que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da Companhia”.

“Dentre esses fatores estão, a necessidade de futura geração de caixa para cumprimento de obrigações financeiras e operacionais vincendas, liquidação de passivos operacionais vencidos, manutenção de capital de giro em nível adequado para a estabilidade das operações, preservação ou recomposição de sua estrutura patrimonial e suporte à continuidade de suas operações”, continua a EY.

A Companhia depende da implementação bem-sucedida de determinadas medidas operacionais e financeiras para suportar suas necessidades de capital de giro e cumprir suas obrigações nos vencimentos contratados”.

EY diz faltar base ao balanço

“Diante deste cenário, que indica a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto a capacidade de continuidade operacional da Companhia, não foi possível concluir sobre o uso da base contábil de continuidade operacional em 30 de junho de 2026, tampouco determinar eventuais efeitos ou ajustes nas informações financeiras intermediárias, individuais e consolidadas, nessa data."

"A base de preparação das informações financeiras intermediárias individuais e consolidadas depende da conclusão e êxito na execução desses planos e ações, sendo estes fatores essenciais para definir a continuidade operacional da Companhia em 30 de junho de 2026."

Abstenção de conclusão

"Devido à relevância dos assuntos descritos na seção 'Base para abstenção de conclusão', não nos foi possível efetuar procedimentos de revisão suficientes para fundamentar nossa conclusão sobre essas informações financeiras intermediárias. Consequentemente, não expressamos uma conclusão sobre essas informações financeiras intermediárias individuais e consolidadas."