Progressistas acreditam que Dino, sorteado relator de novo caso sobre Lulinha, dará a resposta que todo mundo espera a Mendonça e à PF

O maranhense aquiescerá a esse teatro armado pelo 'terrivelmente evangélico' para favorecer a campanha de Flavio Bolsonaro junto à opinião pública? Quem viver, verá

Por INFORME JB

Flavio Dino

A ala progressista da República não só torce como acredita que o maranhense Flavio Dino, o sábio das palavras, não só recusará novo inquérito (vazio) contra Lulinha, como dará à ala bolsonarista da Polícia Federal e ao ministro André Mendonça "a resposta que eles merecem" - diz um deputado petista a este INFORME -, depois de o ministro e "rezadores de pneus" da corporação trazerem à tona, a dois meses das eleições, o requentado "caso Lulinha", que volta e meia retorna às manchetes para fustigar o presidente Lula e insuflar a turma que bebe detergente.

Uma porque Lulinha não tem foro privilegiado, e casos sobre ele devem tramitar na primeira instância. Duas porque já investigado pela PF, nada foi encontrado contra o filho do presidente. Nenhum telefonema dele tomando grana de banqueiro corrupto que rouba aposentados, por exemplo. Nada de "rachadinhas", nem imóveis comprados com dinheiro vivo...

Mendonça, o terrivelmente evangélico" que decretou sigilo para o caso 'Dark Horse' (o filme sobre o indigitado Bolsonaro) e tirou o sigilo do caso Jaques Wagner, não é de hoje, vem irritando e muito a turma da esquerda que frequenta o ambiente do "cafezinho" da Câmara, que anda pegando fogo. 

O sorteio de Flávio Dino ocorreu porque o pedido foi apresentado em formato diferente dos anteriores, o que permitiu o envio do caso para sorteio.

Antes disso, os dois primeiros pedidos de investigação relacionados ao mesmo contexto haviam ido parar com André Mendonça. No novo caso, porém, a Presidência do STF decidiu submeter o material à análise da Procuradoria-Geral da República antes de definir a relatoria, abrindo espaço para a distribuição livre no tribunal.

O que apura a nova investigação

Segundo a Polícia Federal, o terceiro inquérito tem como foco ações de aliados de Lulinha em outros órgãos do governo federal. Já os dois pedidos anteriores miram suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde, no Palácio do Planalto e em negócios envolvendo a Dataprev.

O material se conecta a "provas" reunidas na Operação Sem Desconto, que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ainda assim, a PF afirma que os fatos apurados neste novo pedido "não têm relação direta com os desvios do instituto".

Crise entre Mendonça e a PF

Nas últimas semanas, André Mendonça vinha cobrando da Polícia Federal a entrega de relatórios sobre materiais apreendidos e questionando mudanças na equipe do INSS por receio de interferências na apuração. A estratégia adotada nos novos pedidos aumentou os atritos entre o ministro e a corporação.

Na avaliação da PGR, o caso deveria ser distribuído sem conexão com Mendonça. Alexandre de Moraes seguiu esse entendimento durante o recesso, mas um novo sorteio acabou recolocando Mendonça em um dos inquéritos, enquanto o terceiro ficou com Flávio Dino. Até o momento, Dino ainda não despachou sobre a abertura formal da investigação.