Polícia Federal se rende a Mendonça para fortalecer candidatura de Flavio Bolsonaro
Ou por que resolveu, a dois meses da eleição, anunciar investigação de um requentado 'caso Lulinha', e até agora não pediu ao terrivelmente evangélico a apreensão do telefone, ou a quebra do sigilo bancário do chamuscado 'irmão' do Daniel Vorcaro?
Só sendo muito inocente para acreditar que esse anúncio da investigação requentada do Lulinha pela Polícia Federal entra na cota da "independência" da corporação.
Balela!
Sim, porque; você leitor deste Informe: já ouviu a voz do Lulinha tomando grana de quem quer que seja, muito mais de banqueiro corrupto afogado até o talo em negociatas com dinheiro público? Afora tantos outros casos de corrupção explícita, como rachadinhas, compras de imóveis com dinheiro vivo, lavação de dinheiro em franquias de chocolate...
'Ora (direis) ouvir estrelas': "mas a Polícia Federal de Lula é independente, isso só fortalece o governo". 'Certo perdestes o senso' (para continuar no belo poema de Olavo Bilac). Desde que o mundo é mundo e a lusitana roda, a PF sempre foi instrumento político para derrubar reputações de adversários, umas vezes mais, outras vezes menos.
Criada em 1944 pelo Decreto-Lei no. 6.378, de Getúlio Vargas (!!!), a Polícia Federal sempre cantou - algumas vezes em altos decibéis - a música 'Nunca fui santa', da inesquecível Rita Lee: "Já pulei do abismo / Já fiz muito amor / Eu perco o juízo / Sem nenhum pudor", diz a letra. Está no DNA da corporação.
Não foram poucas e não serão últimas as vezes em que a "polícia do governo federal" interferiu da política. Já houve trocas de chefias, inquéritos contra críticos do Planalto, suspeitas de impacto eleitoral, como agora se re-revela.
Durante a Ditadura Militar (1964–1985), a PF foi formalmente utilizada como braço auxiliar de repressão política: censurava de livros, músicas, peças de teatro e meios de comunicação, perseguindo opositores; no Governo Fernando Henrique Cardoso (1995–2002), houve o caso Lunus (2002): Às vésperas da eleição presidencial, uma operação da PF apreendeu R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo na empresa Lunus, pertencente a Jorge Murad, marido de Roseana Sarney (PFL). Ela liderava as pesquisas de intenção de voto e perdeu para o candidato do governo, José Serra; e quem não se lembra do ex-senador cearense Tasso Jereissati, que acusou a PF, em 2006, de participação no caso dos "Aloprados", da compra de dossiê falso para ligar José Serra e Geraldo Alckmin no escândalo das ambulâncias "Sanguessugas"? E a Operação Castelo de Areia (2009)? E a Satiagraha (2008)? E a Lava Jato (2014–2021)? E as demissões do Maurício Valeixo e do Sergio Moro no (des)governo Bolsonaro?
Ora, ora, seguirão dizendo ('ouvir estrelas') os leitores do Bilac e deste Informe (quanta honra!): "mas o ministro Mendonça foi nomeado por Bolsonaro, mas é independente, não carrega nenhum resquício da teocracia bolsonarista que tentou golpear a República".
Okay, okay! Mas foi quando mesmo que a PF anunciou ter pedido (e o nobre juiz pastor aceitado) a apreensão do iphone ou a quebra do sigilo do Flávio Bolsonaro, o dos 134 milhões (!!!!!) para um filme"?
Diz aí.
(a ver).