A promessa (aceita) de Flávio Bolsonaro ao partido do bispo Macedo em troca de apoio no primeiro turno
Apuração aponta negociação política envolvendo possível indicação do deputado pastor Marcos Pereira ao Supremo Tribunal Federal
Segundo apuração publicada por Lauro Jardim, de O Globo, o senador Flávio Bolsonaro teria fechado o apoio do Republicanos, o partido do bispo Macedo, em uma conversa direta com o deputado federal pastor Marcos Pereira. A articulação teria incluído uma condição explícita: a promessa de indicar Pereira, o testa-de-ferro do líder da Igreja Universal na direção nacional do partido, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
A suposta troca envolveria a cadeira do ministro Luiz Fux, cuja aposentadoria está prevista para abril de 2028. A informação reforça o peso político da negociação, já que o Republicanos é considerado um partido com influência relevante no Congresso e em prefeituras país afora.
O peso político do Republicanos
Fundado por Macedo para abarcar pastores ligados à igreja, o Republicanos mantém forte identificação com a ala radical da denominação evangélica (que persegue com mãos de ferro religiões de matrizes africanas, por exemplo), e consolidou presença nacional. Hoje, a legenda conta com três governadores, 440 prefeitos, sete senadores, 45 deputados federais e mais de 4 mil vereadores, sendo a quinta maior bancada da Câmara.
Esse tamanho torna o partido um ativo estratégico para qualquer projeto eleitoral com ambição nacional. Marcos Pereira chegou inclusive a ser citado como possível candidato à presidência da Câmara na disputa vencida por Hugo Motta.
Impacto na disputa futura pelo Supremo
Além de Fux, o texto lembra que novas vagas no STF poderão surgir nos próximos anos, como as de Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, previstas para 2029 e 2030. Embora as datas estejam condicionadas ao calendário institucional, a sucessão no Supremo tende a seguir como tema central nas articulações entre governo, partidos e lideranças do Congresso.
Na prática, a informação publicada sugere que a construção de alianças políticas já considera não apenas a disputa eleitoral imediata, mas também o controle sobre futuras indicações para a mais alta Corte do país. Até o momento, não há confirmação pública de um acordo formal entre as partes citadas. Nem haveria de haver. (com informações de Yuri Ferreira, da Revista Fórum)