Claudio Castro: Comi um bife de ouro e fui cantar pra Nossa Senhora com Dom Orani
O ex-governador do Rio só enganou mesmo aquela turma dada a beber detergente e a chamar pangaré de mito
Até ajudar - com Flavio Bolsonaro - a derrubar o saltitante governador do "mirar na cabecinha", o então vice-governador Claudio Castro, eleito vereador por fiéis da igreja católica, se passasse a pé na Marquês de Sapucaí naqueles minutos que antecedem um desfile de escola de samba, jamais seria conhecido pela grande massa de eleitores cariocas; no máximo, seria confundido com um segurança desnutrido de Anísio Abrahão Davi, o capo de tutti capi do Carnaval carioca. Ainda que de voz reticente - uma espécie de relações públicas de churrascaria na política fluminense -, era só conhecido por cantar - afinado, diga-se - para Nossa Senhora, terço na mão, em missas Rio de Janeiro afora. O Dom Orani deve ser íntimo...
Aos mais céticos e atentos, porém, aquele semblante de falsa contrição nunca enganou: tom baixo na fala de disco arranhado, olhar acanhado, timidez calculada... Nada era genuíno a ponto de aglutinar fãs-clubes, seja entre servidores do Palácio Guanabara ou eleitores não beatos.
Até que um dia surgiu nos jornais e nos noticiários da TV a história mal contada de uma (in)certa mochila que subiu vazia e desceu cheia em um elevador na Zona Sul do Rio, carregada pelo dito cujo. "Propina", delatou um, para logo tudo se abafar na quarta-feira...
Pouco mais se falou sobre o assunto, e em seguida o homem já apareceu engalanado no uniforme de uma personagem de Mario Puzo no executivo fluminense; fechando contratos, liderando conchavos, e sempre acompanhado do que há de pior na política, nessas paragens onde um dia reinou um furacão chamado Leonel de Moura Brizola, de saudosíssima memória.
Agora, a bomba de ontem e hoje. Após a derrota na justiça (TSE), mandato cassado por abuso de poder econômico na campanha - milhões de reais do governo do Estado a pagar (cash) cabos eleitorais via Ceperj -, o bife de ouro, o uísque de US$ 1 milhão!!!! E tudo pago pelo banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, o "irmãozão" do Flavio Bolsonaro, com dinheiro meu, seu, nosso, diria o Ancelmo.
Custa crer que um acanhado cantor gospel tatibitati, ternos mal cortados, fosse tão vaidoso a ponto de aceitar participar desses convescotes milionários pagos com a poupança dos mal remunerados aposentados do Rio Previdência, como mostram as recentes investigações da Polícia Federal no caso do Banco Master.
E não é só isso. Precisa explicar também a origem da cobertura milionária com piscina onde mora em condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Comprou com salário de governador ou de vereador? Ou faturou vendendo CDs na Central Do Brasil? Alugou? Quem é o proprietário?
Muito, muito a esclarecer.
Já passou da hora de pendurar o retrato na galeria dos governadores fluminenses que se renderam a morfeu entre quatro paredes frias guardadas pela Polícia Federal.