INFORME JB
Em vez das urnas, Maduro antecipa o Natal
Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
Publicado em 03/09/2024 às 18:17
Alterado em 03/09/2024 às 18:17
No fim do século passado, um jornal de Nova Friburgo virou piada nacional com uma manchete no final de novembro:
“E quando menos se espera, já é Natal”
Além da imprensa tradicional, “O Pasquim” passou várias edições debochando do grande “furo” da manchete. Desde que o Brasil foi descoberto, em 1500 já se comemora o Natal em 25 de dezembro.
Na época o Brasil não tinha adotado a “Black Friday”, evento criado nos Estados Unidos para antecipar, após o Dia da Ação de Graças o movimento das vendas de fim de ano no comércio, com bons descontos. Este ano, a Black Friday cai dia 29 de novembro nos EUA.
Pois na Venezuela de Nicolás Maduro, quando todo o mundo e a oposição esperam a divulgação das atas eleitorais, com os resultados das eleições de 28 de julho, o ditador que se autoproclamou eleito com 51,2% dos votos, sem exibir as atas exigidas pelo oposição e países como o Brasil, Colômbia, México, Estados Unidos e membros da União Europeia, além de usar a Procuradoria-Geral da Venezuela para solicitar a prisão do candidato da oposição, Edmundo González, acolhida por um tribunal da Venezuela, acaba de fazer um decreto insólito.
Em agradecimento pelo “apoio do povo à sua reeleição” e devido ao “bons resultados econômicos”, Maduro decidiu antecipar o Natal para 1º de outubro.
O calendário de Maduro
Pelo calendário de Maduro, o ano acabaria logo adiante. Isso evitaria, na sua ótica, quase dois meses de penúria para o povo venezuelano em 2024.
Entretanto, o risco é o ditador, que tem mandato até 10 de janeiro de 2025, quando estava prevista a cerimônia de posse do candidato eleito em 28 de julho, querer rasgar mais uma vez as leis e a Constituição e antecipar sua posse ainda para este ano.
Sem Natal e Feliz Ano Novo
Infelizmente, para milhares de venezuelanos, a crise continua antes, durante e depois do novo e do velho Natal. E não há perspectivas de alívio em 2025.
Ou seja, as fronteiras do Brasil com a Venezuela, no Norte do Amazonas e nas rotas de alcance de Roraima, continuariam sendo transpostas por cidadãos em fuga da realidade bem diferente da pintada pelos discursos ufanistas do ditador. A crise humanitária em Roraima tem exigido gastos públicos elevados por parte do governo brasileiro
Lula não pode abaixar a guarda
Mais um motivo para o governo Lula não abaixar a guarda na cobrança do verdadeiro resultado eleitoral, com transparência na divulgação dos votos, como foi acordado e combinado com o Brasil e demais países que participaram do Acordo de Barbados, em outubro de 2023.
Alta de juros é fixação do mercado
O Federal Reserve Bank, dos Estados Unidos, que se reúne dia 18 de setembro, daqui a duas semanas, já adiantou que vai baixar os juros (há dúvidas se será um empurrão de 0,50% ou só 0,25%).
Mas enquanto o bom senso recomenda que o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne no mesmo dia do Fed, com três horas e meia a mais para decidir, peça mesa e espere o impacto da baixa dos juros nos mercados de câmbio e de ativos financeiros e de commodities, que estão em polvorosa desde que o Fed suspendeu a baixa que teria início em maio.
Pois o mercado financeiro brasileiro segue apostando em alta dos juros. Argumenta ora com descontrole dos gastos públicos (muito em função dos precatórios caloteados por Bolsonaro e dos gastos com o Rio Grande do Sul, ambos declarados como extra Orçamento da União), ora com a alta do dólar.
A última justificativa foi a alta de 1,4% do PIB. Se a economia está crescendo muito é hora de puxar o freio com alta dos juros, raciocinam os rentistas.
Dados do IBGE mostram virtude no PIB
Mas os dados internos do PIB mostram a força dos investimentos que estão puxando a indústria e as importações de máquinas, equipamentos e chips eletrônicos, para modernização e reciclagem do parque industrial, comercial e de serviços.
Se o Banco Central cair nesse canto de sereia e subir juros, a economia esfria.