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Calamidade das chuvas: Cláudio Castro quer fugir à responsabilidade

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Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
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Publicado em 15/01/2024 às 21:58

Alterado em 16/01/2024 às 19:45

Governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro Carlos Magno

É muita cara de pau do governador Cláudio Castro. Desde o afastamento, por “impeachment”, 28 de agosto de 2020, do ex-governador Wilson Witzel, de quem era vice, ele é o responsável maior por tudo de bom e de ruim que acontece na gestão pública do Estado do Rio de Janeiro.

De volta, às pressas, das férias com a família em Miami, porque ”deu ruim”, muito ruim, com as enchentes que causaram mais de uma dúzia de mortes neste fim de semana na Baixada Fluminense e na Zona Norte da capital, o governador tentou se eximir da responsabilidade.

Um antigo problema federal

Em entrevista coletiva, pegou um desvio no problema e entrou numa questão federal, jogando a culpa na concessionária Conger pela inundação, na altura da refinaria Duque de Caxias, da pista de chegada da BR-40 (Rio-Juiz de Fora), no trecho da rodovia Washington Luiz. Na rodovia não morreu ninguém.

A inundação da pista, porque o terreno pantanoso cede e interrompe o escoamento das águas da pista, é problema antigo. Atravessou duas gestões do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, à frente do DNIT (nos governos Dilma e Temer) e ainda quando foi ministro de Infraestrutura de Jair Bolsonaro. De resto, além da inundação, Tarcísio não conseguiu retomar as obras de duplicação na BR-40 na Serra de Petrópolis. Mas isso é outra história.

Cadê o dinheiro da Cedae?

Um dos motivos para a inundação na noite de sábado para domingo de parte dos municípios da Baixada Fluminense e dos bairros cariocas da Zona Norte, foi a falta de dragagem, pelo Inea (o Instituto Estadual do Ambiente), dos rios Acari, Pavuna e Meriti, que fazem a divisa com a Zona Norte da capital antes de desaguarem na baía de Guanabara, e dos rios Iguaçu e Sarapuí que absorvem as águas de mais de duas dezenas de riachos e arroios dos municípios de Belford Roxo, Nova Iguaçu, São João de Meriti e Duque de Caxias antes de também desaguar na baía.

Efetivado em maio de 2021 e reeleito em outubro de 2022, após privatizar a Cedae, receber R$ 14 bilhões e alardear que o estado estava saneado financeiramente, Castro não esperou um ano para bater às portas do Ministério da Fazenda e pedir nova renegociação da dívida do RJ com a União.

Quem perguntar quanto foi usado da venda da Cedae para dragagens nos rios que cortam a Baixada e deságuam na baía, poderia ter como resposta um meme da “Escolhinha do Professor Raimundo”, quando ele indagava pelo salário...

Não se tem notícia de um programa sistemático de dragagens pelo Inea, que absorveu a antiga Serla (Superintendência de Rios e Lagoas), que cuidava da dragagem dos rios e lagoas do Estado. Em outubro do ano passado, o Inea anunciou um programa de dragagens nos 92 municípios do estado, “antes da chegada da temporada de chuvas do verão”. A questão é que a prevenção devia ter vindo muito antes.

A ação eleitoral do Inea na campanha de 2022 foi dragar os rios que cortam as principais cidades, como o Botas, em Belford Roxo (ou seja, as cabeceiras). Mas, como faltou dragar e alargar a foz dos rios Pavuna, Meriti, Iguaçu e Sarapuí, quando a maré encheu a baía e a foz estava engargalada, a água refluiu e inundou dezenas de bairros da Zona Norte e das cidades da Baixada.

Asfalto dá mais votos

Cláudio Castro pode dizer, candidamente, como costuma fazer, que não podia prever as chuvas intensas. Mas, se tivesse cumprido sua obrigação, com programas estruturantes e não com convênios cosméticos com prefeitos bolsonaristas estado afora, para asfaltamentos eleitoreiros, os problemas seriam menores.

O asfalto é um ótimo cabo eleitoral, mas as consequências vêm depois. O asfaltamento de muitas ruas na baixada retirou a capacidade de filtragem das antigas ruas de barro, enlameadas na chuva.

Mas, como as galerias pluviais ficaram sem escoamento, por falta de dragagem dos rios da baía, as águas represadas criaram locais críticos de empoçamentos, mortes e imensos prejuízos.

A Concer, neste caso, não tem nada a ver com isso.

Miro põe o dedo na ferida

O ex-deputado federal Miro Teixeira, um dos mais experientes políticos do Estado do Rio de Janeiro, atualmente na advocacia, não perdeu a sua indignação como homem público e pôs o dedo na ferida:

Para ele, ”As mortes e destruição no Grande Rio não são provocadas apenas pelas chuvas. As águas chegaram a alcançar dois metros de altura. São rios e galerias de águas pluviais entupidos. Falta manutenção. Falta trabalho. Falta vergonha na cara dos responsáveis”, bradou, indignado.

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