Os trapalhões da caserna: militares apagam e-mails golpistas dos computadores do Planalto, mas esquecem da 'lixeira'
Governo Lula teve acesso às trocas de mensagens entre os funcionários anteriores; notícia foi dada sob risos na GloboNews
Parece até que a caserna brasileira é formada pelo sargento Pincel e sua tropa de trapalhões, mas nem Renato Aragão seria capaz de escrever um roteiro com tantas presepadas - para dizer o mínimo. Parte dos militares lotados na ajudância de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na tentativa de encobrir diálogos de teor golpistas, apagaram mais de 17 mil mensagens da 'caixa de entrada' dos e-mails, nos computadores do Palácio do Planalto, mas esqueceram - ou não sabiam - que era necessário apagar também os conteúdos da 'lixeira.'
A razão para isso aparentemente teria a ver com o apagamento de rastros de olho em uma futura investigação federal, como a que ocorre nos dias atuais. Pois o Governo Lula teve acesso às trocas de mensagens entre os funcionários anteriores. O ato falho foi divulgado em primeira mão pela GloboNews, que se divertiu com a notícia. Ao receber a informação da repórter Isabel Camargo, o comentarista Octavio Guedes, em ironia, chegou a colocar a música tema da abertura do seriado que conta com Didi Mocó, Dedé Santana, Mussum e Zacarias.
"É isso. A gente observa pelo levantamento que tinha um modus operandi que era deletar da caixa de entrada, mas faltou ali uma informação básica: tinha que deletar novamente. Só um fez e os outros auxiliares do ex-presidente não tiveram o mesmo cuidado", confirmou Isabel, segurando o riso.
Os e-mails esquecidos na lixeira também foram compartilhados com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, que investiga o ataque à democracia e à praça dos Três Poderes. Altamente incriminatórios, a informação é de que os materiais continham inúmeras mensagens de militares que tramavam um golpe de Estado.
Foi na lixeira que foram encontrados, também, os e-mails em que Mauro Cid, principal ajudante de ordens de Bolsonaro, tentava vender um relógio Rolex que o Governo Federal tinha recebido de presente da Arábia Saudita.
O chefe do setor, aliás, é investigado por uma lista de acusações. Desde fraudes em cartões de vacinação, até a articulação de atos golpistas, passando pela operação de possíveis esquemas de rachadinha no Palácio do Planalto e a produção de lives do ex-presidente que difundiram desinformações tão graves que são investigadas como possíveis "crimes contra a saúde pública".