Morre o jornalista Renato Machado, o dono da voz, aos 83 anos
Foi editor-chefe do JORNAL DO BRASIL nos anos 70
O jornalista Renato Machado morreu nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. A unidade informou o falecimento em comunicado. A causa não foi divulgada.
Conhecido por sua longa trajetória na TV Globo, Renato ficou marcado especialmente pela passagem como apresentador do Bom Dia Brasil e por sua atuação como correspondente internacional. Era dono da voz inconfundível do jornalismo. Ele deixou a emissora em 2021, após décadas de trabalho.
Chegou à redação deste JORNAL DO BRASIL em 1969, onde ocupou os cargos de editor de Internacional e editor-chefe, permanecendo no JB por 13 anos, onde formou inúmeros jornalistas jovens que hoje estão em redações do Brasil e do mundo.
Amava ópera e bons vinhos. Conquistador, foi casado também com outro ícone social, a ex-colunista do JB Danuza Leão.
Trajetória antes da TV Globo
Nascido em 21 de março de 1943, no Rio de Janeiro, era filho do médico e oficial do Exército Álvaro Dodsworth Machado e da secretária bilíngue Fernanda Mattos Machado. Formou-se em Direito pela PUC-Rio e também teve experiência como ator e dublador de cinema, além de ter atuado no Teatro Oficina, em São Paulo.
Em 1967, após ser aprovado em um concurso da BBC, foi para Londres trabalhar com rádio. Dois anos depois, retornou ao Rio e foi contratado como tradutor pelo Jornal do Brasil, onde se tornou repórter e depois editor de Internacional, permanecendo por 14 anos.
Da cobertura internacional ao Bom Dia Brasil
Renato Machado entrou no jornalismo da TV Globo em 1982 e participou da cobertura da Guerra das Malvinas, trabalhando do Rio de Janeiro e da Argentina. Em 1983, foi convidado para ser correspondente em Londres, onde ficou por seis anos.
De volta ao Brasil, atuou como repórter especial e, em 1990, deixou a Globo para trabalhar na TV Manchete, onde foi editor-chefe e apresentador do telejornal Noite e Dia. Em 1991, retornou à emissora carioca e passou a cobrir a América Latina, além de acompanhar acontecimentos como o impeachment de Fernando Collor e a morte de Ayrton Senna.
Legado no jornalismo e despedida da TV Globo
Em 1996, assumiu o posto de âncora e editor-chefe do Bom Dia Brasil, função que exerceu por 15 anos. Nesse período, foi um dos responsáveis pela reformulação do formato e da apresentação visual do programa, dividindo a bancada com Leilane Neubarth e depois com Renata Vasconcellos.
Em setembro de 2011, deixou a bancada e retomou a função de correspondente da Globo em Londres. Mais tarde, assinou uma coluna semanal no Jornal da Globo, intitulada Crônicas de Renato Machado, e voltou ao Rio em 2016 como repórter especial do Globo Repórter. Além do jornalismo, escreveu sobre vinhos, uma de suas paixões, e colaborou com a rádio CBN.