ABI emite nota de repúdio a 'manifestações de hostilidade e ódio dirigidas a jornalistas'
Leia a íntegra do documento
"A Associação Brasileira de Imprensa repudia as manifestações de hostilidade e ódio dirigidas a jornalistas que realizam a cobertura da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, nos últimos dias, em Brasília.
Profissionais de imprensa que cumprem seu dever de informar a sociedade têm sido alvo de ataques verbais e intimidações por parte de apoiadores do ex-presidente, em um ambiente de crescente hostilidade contra o trabalho jornalístico.
Causa indignação a atitude da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que compartilhou em suas redes sociais um vídeo com ataques a jornalistas. O material, produzido por uma influenciadora bolsonarista e amplificado por parlamentares da extrema direita, foi difundido sem qualquer verificação, disseminando desinformação e expondo profissionais que apenas exerciam seu trabalho.
A partir dessa campanha, jornalistas que aparecem nas imagens passaram a ser identificados e atacados nas redes sociais. As agressões ultrapassaram o ambiente digital: repórteres foram reconhecidas na rua e no transporte público e sofreram ataques presenciais. Também circularam montagens e vídeos com uso de Inteligência Artificial simulando violência contra profissionais, além da exposição de fotos de filhos e familiares como forma de intimidação.
É inadmissível que figuras públicas utilizem sua influência para difundir conteúdo falso ou estimular campanhas de difamação contra jornalistas. Esse tipo de prática não ameaça apenas indivíduos, mas representa um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação.
O episódio remete ao período de 2019 a 2022, em que a violência contra jornalistas foi praticada e estimulada diretamente pelo próprio Bolsonaro, então presidente da República, por meio de diversos episódios de triste memória. Foram diversas as ocasiões em que entrevistas coletivas na Presidência da República se tornavam espaços para ataques aos profissionais de imprensa no “cercadinho” sob o comando de Bolsonaro e apoiadores.
Manifestamos solidariedade aos profissionais que estão em serviço e reiteramos a defesa incondicional do respeito à atividade jornalística e à liberdade de imprensa."