Polícia Federal investiga ex-diretores do Banco de Brasília em caso ligado ao financiamento imobiliário para compra da mansão de Flávio Bolsonaro
Documento obtido pela Agência Pública aponta suspeitas sobre a gestão do banco e levanta dúvidas sobre a aprovação do empréstimo
A Polícia Federal está investigando três ex-integrantes da diretoria do Banco de Brasília (BRB) (instituição financeira do governo do DF) que estavam no comando da instituição quando Flávio Bolsonaro contratou um financiamento de R$ 3,1 milhões para comprar a "famosa" mansão em Brasília. A apuração integra o caso Banco Master e aponta suspeita de gestão fraudulenta em operações ligadas à compra de carteiras de crédito da instituição liquidada, informa reportagem de Jéssica Ribeiro, da Agência Pública.
Segundo documento obtido pela agência de notícias, via Lei de Acesso à Informação, os diretores tinham direito a voto nas deliberações sobre as operações. Entre eles estão o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, além de Cristiane Maria Lima Bukowitz e Dario Oswaldo Garcia Júnior.
Como o financiamento da mansão foi contratado
O crédito foi concedido em janeiro de 2021 para a compra de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, adquirida por Flávio Bolsonaro e Fernanda Bolsonaro por R$ 5,97 milhões. O casal pagou cerca de R$ 2,9 milhões com "recursos próprios", e financiou o restante com o BRB, com prazo de 30 anos para pagamento.
O imóvel tem 1,1 mil metros quadrados e inclui piscina, academia e spa. Na época, o valor da casa era mais do que o triplo do patrimônio declarado por Flávio à Justiça Eleitoral em 2018. Para obter o crédito, o casal declarou renda mensal conjunta de R$ 36.957,68.
Quitações antecipadas e questionamentos sobre o contrato
Embora o financiamento previsse três décadas para quitação, a dívida foi paga integralmente em apenas três anos, após seis pagamentos extras que somaram R$ 3,4 milhões. O último depósito foi feito em março de 2024. Flávio informou que os recursos tinham origem lícita, mas não detalhou de onde vieram.
A operação motivou questionamentos do Ministério Público do Distrito Federal e também uma ação da deputada Erika Kokay, que pediu a anulação do contrato sob o argumento de que o crédito teria sido concedido fora das regras internas do banco.
Debate da Band
A reportagem relembra que o assunto foi tema trazido pelo presidente Lula no debate da TV Bandeirantes: "Ao comparar o próprio patrimônio ao do adversário, o presidente-candidato Lula questionou Flávio sobre a origem dos recursos utilizados na compra do imóvel. 'Esse cidadão, que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de R$ 10 milhões' ”
O que diz o BRB e por que a decisão segue sem esclarecimento
O BRB afirma que as condições oferecidas ao senador estavam disponíveis a outros clientes e que a análise considerou "quatro rendas líquidas registradas no cadastro". O banco sustenta que o comprometimento da renda ficou abaixo do limite legal e argumenta que a quitação antecipada mostra ausência de prejuízo aos cofres públicos.
Apesar disso, o banco não explicou como o financiamento foi aprovado nem informou se a Diretoria Colegiada participou da decisão sobre o crédito. Servidores ouvidos pela reportagem afirmaram que operações acima de certos limites passam por instâncias superiores, mas o BRB não detalhou quais eram esses valores nem respondeu aos pedidos de esclarecimento até a publicação da notícia.