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'Entregamos respostas ao Ibama em uma reunião técnica', diz Magda, sobre margem equatorial
Por JORNAL DO BRASIL com Agência Estado
redacao@jb.com.br
Publicado em 30/12/2024 às 07:48
Alterado em 30/12/2024 às 07:57

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defendeu nesse domingo (29), mais uma vez, a exploração de petróleo na margem equatorial brasileira e se disse otimista em conseguir a licença ambiental do Ibama para perfurar o poço FZA-M-59. "Entregamos respostas ao Ibama em uma reunião técnica, como eles queriam. Estamos estudando a área há mais de 10 anos e a Petrobras tem toda tecnologia e recursos para fazer essa exploração", afirmou.
Ela destacou que a Petrobras produz há anos no pré-sal em frente às praias de Copacabana e Ipanema, com total confiança da população e sem acidentes.
"Quando se fala na Foz do Amazonas acham que vão sujar a Ilha de Marajó, que é uma distância duas vezes maior do que a distância (da nossa exploração) em relação a Copacabana", explicou a executiva.
Segundo ela, o leilão das áreas da Margem Equatorial ocorreu quando ela era diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e o objetivo foi diversificar a distribuição de tributos do petróleo. "Ideia é gerar tributos para os estados e municípios da Margem", afirmou.
Interesses do governo e de acionistas
Em entrevista ao programa Canal Livre, na Band News, Magda disse que a sua relação com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, "é muito boa", e que o político, como representante da União no controle da empresa, "quer saber tudo o que se passa na companhia e torce por nós".
Além de Lula, Magda elogiou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que teve atritos com a gestão anterior da empresa, de Jean Paul Prates.
"Eu tenho uma relação direta com o governo, não ter seria um absurdo. Então eu busco alinhamento com o acionista majoritário, que é o governo, e com o acionista minoritário, que são meus acionistas privados, e tenho que conversar com os dois, por óbvio", explicou a executiva.
Segundo ela, o ministro da Casa Civil é muito atuante e faz o papel de entendimento e relação do que acontece na Petrobras e no País.
De outro lado, ela relatou que existe uma relação direta com Silveira e outros ministros, como o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
"Estamos conseguindo conciliar o interesse da sociedade brasileira com o interesse dos nossos investidores, não tem ninguém reclamando", disse a executiva, ressaltando que a Petrobras tem "empilhado prêmios de governança".
Pré-sal no futuro
A presidente da Petrobras afirmou que o Brasil tem gás natural, mas que levará algum tempo para trazer para a costa todo o gás produzido na região do pré-sal. Enquanto isso, as parcerias com países vizinhos podem viabilizar o aumento da oferta do insumo e com isso reduzir o seu preço no mercado brasileiro.
"Os campos do pré-sal no futuro serão campos de gás natural", informou, explicando que após o esgotamento do petróleo ainda restarão reservas de gás.
Ela informou que ano que vem já será possível importar gás da Argentina, revertendo o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), e que se a produção da Petrobras na Colômbia for bem sucedida, poderá ocasionalmente vir para o Brasil.
"Temos duas descobertas relevantes de gás (na Colômbia), e se a gente ficar no que a gente tem hoje lá, será para atender o mercado local, mas se as expectativas forem mais otimistas, (o gás) pode chegar ao Brasil", disse Magda.