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Crise em Maceió: mineração da Braskem é um 'genocídio social', afirma morador

No episódio do podcast Jabuticaba Sem Caroço, da Sputnik Brasil, que foi ao ar nessa quinta-feira, o geógrafo Marcelo Wermelinger, professor da Estácio, alertou sobre a grave situação em Maceió. A discussão girou em torno do iminente colapso resultante da exploração mineral que acontece na região desde os anos 1970

Por JORNAL DO BRASIL com Sputnik Brasil
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Publicado em 09/12/2023 às 07:11

Alterado em 10/12/2023 às 09:01

[TERRA OCA] O solo afunda em Maceió, sobre as minas da Braskem Foto: Ufal

Armando Holanda - De acordo com Wermelinger, a exploração, inicialmente autorizada, ocorreu em profundidades significativas, mas os estudos subestimaram a interferência no meio urbano. O solo, comprometido pela mineração, tem gerado subsidência, resultando em riscos de desmoronamento e forçando a evacuação de comunidades inteiras na capital de Alagoas.

Embora a mineração seja legal, a situação exige uma resposta mais incisiva. Segundo o geógrafo, quando se tem uma exploração em alta profundidade, isso gera cavernas muito profundas que causam instabilidade na superfície do solo.

"São áreas que geram um alívio de tensão no solo muito grande. E quando esse alívio não suporta o peso da camada de solo que está sobre aquela laje, sofre um processo de subsidência, que é o afundamento desse solo e, consequentemente, esse afundamento vai progredindo até chegar à superfície", explica.

Fernando Lima, presidente da Associação Comunitária Beneficente dos Moradores do Bairro do Bom Parto, assinalou ao podcast que a vida cotidiana da população de Maceió se tornou "um verdadeiro inferno".

"A vida cotidiana está transformada num inferno total […]. Há uma parte da beira da lagoa [Mundaú] que precisa urgentemente ser retirada, e agora foi colocado novamente que precisa de mais 15% para sair", pontua.

Além das preocupações imediatas, como o risco de colapso e deslocamento da população, Marcelo Wermelinger ressalta as consequências sociais a longo prazo.

"O deslocamento mal-planejado pode resultar na formação de novas favelas, agravando os problemas urbanos da cidade. A população, estimada em 60 mil pessoas, deveria ter sido realocada para evitar riscos. Contudo, o processo de desocupação, iniciado em 2019, tem sido lento e caótico", crava.

A falta de preparação para receber essa população deslocada foi evidenciada, levantando questionamentos sobre a responsabilidade das autoridades locais e da empresa envolvida, a Braskem. A negligência na gestão desse processo de desocupação tem causado impactos negativos, e a população se vê obrigada a lidar com a situação por conta própria.

"A empresa Braskem que é a causadora desse genocídio social que nós estamos praticamente dentro. Por que genocídio social? Porque, desde o início, nós pedíamos e implorávamos para que retirassem principalmente a faixa da lagoa, para que tivessem respeito conosco", desabafa Fernando Lima.

Em nota divulgada na última segunda-feira (4), a Braskem informou que "a velocidade de acomodação do solo no entorno da mina 18 vem diminuindo nos últimos dias, de acordo com informações divulgadas em notas da Defesa Civil e do Ministério das Minas e Energia. A Defesa Civil também informou que não houve mais registro de microssismos".

No entanto, acrescentou a empresa, "todas as medidas de prevenção e segurança das pessoas devem ser respeitadas. As áreas de serviço da Braskem em torno da mina 18 continuam isoladas, e o monitoramento feito 24 horas por dia segue sendo compartilhado com as autoridades".
A Sputnik Brasil entrou em contato com a Braskem para saber o posicionamento da empresa diante das acusações, mas ainda não obteve resposta.

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