Ministro de Minas e Energia pedirá investigação da PF e da Abin sobre apagão ‘raro’

Governo já sabe que houve uma sobrecarga em uma linha de transmissão de energia no Ceará

Por GABRIEL MANSUR

Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), declarou que o apagão desta terça-feira (15) não tem relação com a segurança energética do país. Segundo Silveira, a interrupção no fornecimento de energia elétrica foi um evento extremamente "raro". Por isso, vai pedir à Polícia Federal e à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que investiguem as causas do problema.

“O ocorrido de hoje não tem nada a ver, absolutamente nada a ver com o suprimento energético e a segurança energética do Brasil. Nós vivemos um momento de abundância dos nossos reservatórios. (...) Tenho absoluta convicção de que o ONS, até pela sua característica técnica, não vai ter condição de dizer textualmente se esses eventos foram eminentemente técnicos, ou se houve também falha humana ou até dolo”, disse o ministro.

O governo já sabe que houve uma sobrecarga em uma linha de transmissão de energia no Ceará, o que fez com o que o sistema entrasse em colapso nas regiões Norte e Nordeste. Quando isso ocorreu, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) interrompeu a carga que estava sendo enviada para o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste, como forma de proteção, o que fez com que a energia fosse reduzida nessas regiões. Houve pelo menos 16 mil megawatts (MW) de interrupção de energia.

"Para acontecer um eventos dessa magnitude, nós temos que ter tido dois eventos concomitantes, em linhas de transmissão de alta capacidade. Ou seja, é extremamente raro que aconteça o que aconteceu no episódio de hoje. (...) Estou oficiando ao Ministério da Justiça, para que seja encaminhada à PF, um pedido de instauração de inquérito policial, a fim de apurar com detalhes o que poderia ter ocorrido, além de diagnosticar apenas onde ocorreu. Vamos encaminhar tanto à PF quanto para a Abin a instauração de procedimentos para apurar eventuais dolos nesse ocorrido de hoje", completou.

Segundo o ministro, o ONS ainda irá avaliar se houve outro "evento" no mesmo horário, em outro local do país.

“O único evento que se pode afirmar é esse no Ceará. Ainda não há outro evento apontado pelo ONS, mas leva-se a presumir que tivemos um segundo evento que causou esse evento dessa magnitude”, disse.