Longevidade com qualidade
Hoje em dia não se fala mais de um envelhecimento saudável apenas baseado no tripé: alimentação de boa qualidade, atividade física regular tanto aeróbica quanto de resistência e administração do estresse para se falar apenas do básico necessário para se manter a saúde física e emocional. Está se acrescentado a essas atitudes, para se chegar ao envelhecimento saudável, os exercícios que promovam o equilíbrio corporal e o conceito de fragilidade deste corpo pois já sabemos que cérebros mais velhos gastam mais tempo para processarem, integrarem esses sistemas de equilíbrio e responderem a uma situação adversa do que os cérebros jovens facilitando assim que as oscilações corporais em situações de equilíbrio difíceis evoluam para uma queda.
Isso acontece porque assim como as idades cronológicas vão envelhecendo, alterações nas idades biológicas celulares de alguns sistemas do organismo também vão sendo degradadas e deixando de ser eficientes. Estou falando especificamente dos sistemas sensoriais que cuidam do nosso equilíbrio nos protegendo das quedas. São 3 esses sistemas que agem integrados: a visão, o sistema vestibular no ouvido interno onde se encontra o labirinto e a propriocepção formada por receptores localizados nos músculos esqueléticos, tendões e articulações que informam ao cérebro em que posição partes do corpo estão (horizontal, vertical ou inclinada) num determinado momento. As quedas, pequenas que sejam como perder um chinelo frouxo no pé, escorregar ou mesmo tropeçar num tapete pouco aderido ao chão, um piso liso e/ou molhado, cair de uma escada em casa, acidentes aparentemente simples estão entre as maiores causas de hospitalização, por exemplo, por fratura de fêmur, com consequentes limitações e diminuição da motilidade posterior ao evento levando à insegurança e a perda de confiança em se mover novamente decorrente do medo de cair de novo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço dos idosos sofrerá pelo menos uma queda por ano.
Um outro aspecto muito interessante da longevidade diz respeito a fragilidade e de como ela difere do envelhecimento normal, apesar de estar relacionada com o mesmo quando observamos por exemplo dois idosos com a mesma idade mas um estando hígido e o outro frágil.
Na visão médica a fragilidade pode ser definida como uma condição de maior vulnerabilidade e menor capacidade de recuperação diante da chegada de algumas doenças e consequentes perdas graduais da saúde ao longo da vida. A fragilidade vai se instalando como um espectro começando pela fase de “pré-fragilidade já na década dos 50 anos. Essas pessoas pré-frágeis têm piores resultados no controle de suas doenças do que seus pares mais robustos. O professor de Medicina Geriátrica da Universidade Dalhousie, no Canadá, Kenneth Rockwood define fragilidade como um envelhecimento acelerado, mais rápido do que o de seus pares. Estudiosos dessa área acreditam que a fragilidade é o resultado do declínio de múltiplos sistemas do organismo como o musculoesquelético, o imunológico e o metabólico decorrente de um estado inflamatório perene causado pelas doenças de base do indivíduo diminuindo assim a atividade das mitocôndrias, nossas fontes de energia química.
A ciência moderna com suas descobertas nos ensina cada vez mais a importância de investir diariamente, mesmo em pequenas mas constantes mudanças com o objetivo na melhoria do estilo de vida, não para se viver mais anos mas sim para vivê-los com mais qualidade de vida. Se mover mais, se alimentar melhor, não fumar, beber muito mais moderadamente, cuidar para se ter um bom sono, aprender a administrar o estresse desacelerando um pouco o ritmo frenético no qual se vive, manter uma boa rede de suporte familiar e social cultivando as boas amizades são os passos adequados para se alcançar a longevidade com qualidade.
Dra Elizabeth Cataldi, é médica endocrinologista formada pela Universidade Federal de Medicina (UFRJ), pós graduada em Endocrinologia pelo Instituto Carlos Chagas e mestrado em Neurologia pela UNIRIO, membro da SBEM e SBCBM com ampla experiência no tratamento? da obesidade, síndrome metabólica e diabetes mellitus.