O aumento do número de cirurgias plásticas reparadoras pós-emagrecimento promovido pelo avanço do uso das 'canetas de emagrecimento'

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Por Dr. Pablo Trindade

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O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” ou as famosas "canetinhas", como os medicamentos análogos da GLP-1, vem transformando o tratamento da obesidade no Brasil e no mundo.

A rápida perda de peso e muitas das vezes maciça, que antes parecia impossível para muitos pacientes e apenas visto após as cirurgias da obesidade ou “bariátricas”, agora acontece em poucos meses. Mas atrelado aos resultados positivos, um outro problema de saúde vem crescendo, aumentando uma nova demanda nos consultórios dos cirurgiões plásticos: as cirurgias reparadoras após o grande emagrecimento.

Cirurgiões relatam aumento na procura por procedimentos para retirada de excesso de pele e melhora do contorno corporal, principalmente em regiões como abdômen, braços, mamas, coxas e face. Isso acontece porque o corpo nem sempre consegue acompanhar a velocidade da perda de gordura. Em muitos casos, a pele perde elasticidade e acaba "sobrando", causando desconforto físico, psicológico e emocional.

Além da flacidez, alguns pacientes também apresentam perda de massa muscular durante o processo. Estudos recentes publicados em revistas médicas internacionais mostram que o emagrecimento acelerado exige acompanhamento nutricional e atividade física adequada, especialmente musculação para hipertrofia de "massa magra", para evitar fragilidade muscular como a "sarcopenia" e outras deficiências nutricionais. Nem todo emagrecimento remete exclusivamente a uma vida saudável. Por isso o acompanhamento por profissionais especializados é tão importante.

Outro ponto que deve ser esclarecido é entender que existe um momento certo para realizar a cirurgia plástica reparadora. O paciente precisa estar com o peso estabilizado por um determinado período (“platô de perda”) , exames clínico e laboratoriais em dia e boas condições físicas e psicológicas para enfrentar o procedimento. A pressa pode aumentar riscos de complicações e até comprometer os resultados finais. Muitos profissionais recomendam esperar alguns meses após a estabilização do peso antes de operar. A expectativa do resultado deve ser muito bem conversada com o paciente.

A cirurgia plástica reparadora hoje já é vista como parte do tratamento da obesidade. Não se trata apenas de estética. O excesso de pele pode provocar assaduras, dor, dificuldade de higiene pessoal além do impacto importante na autoestima e do convívio social. Pacientes relatam melhora na mobilidade (função), na prática de exercícios e até na vida social depois dos procedimentos, embora cada caso precise ser avaliado individualmente.

O emagrecimento saudável vai muito além do peso na balança. O uso das “canetinhas” pode auxiliar bastante, mas o processo precisa incluir acompanhamento médico interdisciplinar promovendo alimentação equilibrada, fortalecimento muscular e cuidado emocional. O objetivo final não é apenas perder peso rápido, mas recuperar qualidade de vida de forma segura e duradoura, mesmo que isso leve um pouco mais de tempo.

Fontes: Publicações médicas recentes do Aesthetic Surgery Journal, Plastic and Reconstructive Surgery (PRS)

Dr. Pablo Trindade é cirurgião plástico ex-aluno do professor Ivo Pitanguy. Possui título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica SBCP. Atualmente coordena o “NIRC" - Núcleo Integrado de Readequação Corporal, o primeiro centro privado de acompanhamento interdisciplinar da obesidade que conta com cirurgiões bariátricos, cirurgiões plásticos, endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e educadores físicos.