Estudo: células não imunes liberam proteína 'detergente' para matar quando atacadas por bactérias

De acordo com cientistas, este é um "sistema defensivo antigo e primordial" que funciona como um sabão lavando a gordura, e pode prover nova visão no desenvolvimento de tratamentos para novas infecções

Foto: Arek Socha
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Uma equipe de cientistas revelou que, quando são atacadas por invasores bacterianos, as células humanas fora do sistema imune liberam uma proteína parecida a detergente que dissolve pedaços das membranas internas das bactérias até as matar.

O imunologista John MacMicking da Universidade de Yale, nos EUA, autor principal do estudo, revelou que essa defesa celular foi muitas vezes ignorada nos humanos. A equipe apresentou suas conclusões em um relatório publicado nessa sexta-feira (16) na revista Science.

"Células imunes profissionais, como anticorpos ou células brancas do sangue, recebem muita atenção, mas todas as células são dotadas de alguma capacidade de combater uma infecção", disse o cientista.

Em geral, as células não imunes confiam em avisos de células imunes para lutar contra infecções. Após os distúrbios serem detectados, células imunológicas especializadas liberam um sinal de alarme chamado de interferon-gama. O alarme mobiliza outras células, incluindo do epitélio na garganta e intestino e que habitualmente são atacadas pelos patógenos.

Os cientistas da equipe infectaram versões de laboratório de células epiteliais humanas com bactérias Salmonella. Depois, eles escanearam mais de 19 mil genes humanos, procurando as que começaram alguma proteção contra a infecção.

Curiosamente, um gene, que contém instruções para uma proteína chamada APOL3, fez algo diferente. Quando os cientistas olharam, por meio de microscópio de alta potência, para as moléculas da APOL3 em ação dentro das células hospedeiras, eles descobriram que a proteína se acumula, invade as bactérias e acaba por as matar.

"Nós ficamos um pouco surpreendidos por encontrar uma atividade semelhante a detergente dentro de células humanas, dado que tal molécula também poderia dissolver membranas hospedeiras", comentou MacMicking.

Porém, os pesquisadores revelaram também que a APOL3 ataca especificamente lipídeos encontrados em bactérias e sua atividade é bloqueada pelo colesterol, componente comum das membranas de células de mamíferos, o que deixa os tecidos humanos inalterados. Basicamente, esta proteína pode facilmente distinguir entre membranas bacterianas e membranas hospedeiras. (com agência Sputnik Brasil)