Falta de credibilidade do novo presidente dificulta ajustes no BB, avalia economista

Na última semana, o governo formalizou uma polêmica mudança no comando do Banco do Brasil, gerando incômodo entre conselheiros da instituição e levantando dúvidas sobre os novos rumos do banco mais antigo do país

Foto: Reuters / Amanda Perobelli
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Em carta enviada a funcionários do Banco do Brasil na última segunda-feira (5), o novo presidente da instituição, o administrador Fausto de Andrade Ribeiro, afastou a ideia de privatizar o banco, também criticada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. No entanto, prometeu austeridade e levar adiante a agenda de venda e reorganização societária de negócios secundários.

Ribeiro tomou posse na última semana em meio à insatisfação de conselheiros do BB, que o consideraram pouco preparado para a função. Ele assumiu após a demissão do experiente André Brandão, executivo de mercado com atuação no HSBC dos Estados Unidos. Por conta da troca, o presidente do conselho, Hélio Magalhães, e o conselheiro independente José Guimarães Monforte decidiram renunciar.

"O Banco do Brasil é de mercado e é do Brasil", afirmou o novo mandachuva do banco na carta. "É inegociável buscar eficiência, lucros crescentes, rentabilidade compatível com as principais instituições financeiras."

Um dos motivos para a saída de Brandão seria a estratégia de reduzir consideravelmente o número de agências do BB pelo país, que teria incomodado o presidente.

Apesar de ser uma sociedade de economia mista e, assim, ter que dar rentabilidade aos seus acionistas, o Banco do Brasil também é uma empresa controlada pelo Estado, e, como tal, tem atribuições a cumprir que vão além da simples maximização de lucros. É o que explica, em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil, a professora Maria Beatriz de Albuquerque David, da Faculdade de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

"As novas estratégias bancárias são cada vez mais de reduzir custos e trabalhar no sistema on-line, fazer a maior parte das suas operações digitalmente. Então, a proposta do antigo Banco do Brasil ia nesse sentido. Há um conflito aí porque o Brasil é um país muito grande e tem cidades pequenas. Então, os bancos estatais cumprem mais ou menos esse papel de ter agências em toda parte do país. Mas está sendo cada vez mais um papel da Caixa Econômica, porque ela tem custos mais baixos e tem menos participação de acionistas no sentido de exigir um retorno do seu capital", afirma.

Para a especialista, a posse de Ribeiro como presidente do BBB e a contestação a ela cria um problema de credibilidade, ainda mais pelo fato de ele não ser um executivo conhecido no mercado e respeitado pela "burocracia do Banco do Brasil".

"O Banco do Brasil não é um banco tradicional tampouco. Ele não é um banco comercial como o Bradesco, como o Itaú. Ele tem uma tradição de carreiras. Ele fica entre um misto de carreiras tradicionais do Estado com um banco. E também isso tem que ser ajustado, e isso é um problema difícil, principalmente por alguém que não tem respeitabilidade nem do corpo funcional e nem do mercado. Então, ele está frágil nos dois pés."

A economista vê a nova presidência como uma forma de atender a desejos do Poder Executivo, mas "uma empresa estatal é uma empresa do Estado brasileiro", e não "do governante do momento". De acordo com ela, como a Caixa tem respondido muito bem a todas essas demandas estatais e do governo, "ele [Bolsonaro] quer o mesmo papel no Banco do Brasil".

"O Banco do Brasil foi sempre um banco com uma grande ramificação rural, porque ele era o grande responsável pelos empréstimos rurais. Isso tem mudado nos últimos anos, mas a capilaridade de agências dele no interior se justificava por isso. Mas a tradição agora no mundo inteiro é que você faça grupamentos conjuntos, de agências bancárias junto com agências dos Correios, junto com mercados. Quer dizer, uma integração entre várias atividades nos locais onde você tem pouca capilaridade e pouca população. Então, é o que está mostrando a mudança do sistema bancário, mesmo estatal, a nível internacional."(com agência Sputnik Brasil)



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Homem com máscara de proteção e luvas caminha em frente a uma agência do Banco do Brasil no Centro do Rio