Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Maio de 2017

Sol Maior

Contratenor Philippe Jaroussky se apresenta no Rio nesta quarta-feira

Maria Luiza Nobre

O Rio de Janeiro deverá reviver amanhã, no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro uma noite muito especial. Há décadas assistimos na Sala Cecília Meireles, o grande cantor inglês Alfred Deller com seu Deller Consort rodeado por velas e as páginas mais sublimes da renascença e do barroco, para nunca mais esquecer. Deller foi, sem dúvida, o maior ícone em redescobrir os contratenores no século XX.

O contratenor é fisicamente um cantor masculino, que emite uma voz em uma tessitura equivale ao alcance de voz de contralto ou mezzo-soprano.

Aos 39 anos, Jaroussky coleciona os mais importantes prêmios da música clássica
Aos 39 anos, Jaroussky coleciona os mais importantes prêmios da música clássica

Para abrir a Série O Globo / Dell’Arte Concertos Internacionais 2017, estará no palco do Municipal, às 20h, um dos mais expressivos nomes da cena lírica internacional na atualidade,o genial contratenor francês Philippe Jaroussky, dono de uma voz sublime e um timbre muito raro, a orquestra de câmara francesa Le Concert de la Loge regida pelo violinista Julien Chauvin. Será um programa especial, inteiramente dedicado ao compositor G.F.Haendel, com suas mais famosas árias para Castrati.

Jaroussky com seus 39 anos, é uma estrela internacional na cena lírica mundial, colecionador dos mais importantes prêmios da música clássica. Seu timbre vem sendo frequentemente comparado ao de Carlos Broschi, o castrato italiano mais famoso da história, conhecido como Farinelli.

Com uma técnica de grande maestria, Philippe Jaroussky, tem um amplo repertório sobretudo no domínio Barroco e em refinamentos do seiscentismo italiano, indo de compositores como Monteverdi, Sances e Rossi, ao atordoante virtuosismo de Händel e Vivaldi — sendo estes últimos, sem dúvida, os compositores mais presentes em seus recitais nos últimos anos.

Em 2002 fundou o Ensemble Artaserse, que se apresenta em toda a Europa. Já há muitos anos Philippe Jaroussky mantém relações muito estreitas com sua gravadora para o registro de seus recitais, todos eles premiados com numerosas distinções.

O violinista Julien Chauvin, estudou violino com Vera Beths no Royal Conservatory em The Hague, e interpretação de instrumentos de época na música Clássica e Barroca com Wilbert Hazelzet, Jaap Ter Linden e Anner Bylsma.

Em janeiro de 2015 o violinista Julien Chauvin fundou um novo conjunto de instrumentos de época, com a meta de reviver uma famosa orquestra do século XVIII, a Concert de la Loge Olympique. Fundada em 1783, a Concert de la Loge Olympique, tornou-se famosa pela encomenda feita a Joseph Haydn das “Sinfonias Paris”, possivelmente por intermédio da agência do Chevalier de Saint-Georges. Era considerada uma das melhores orquestras da Europa, apresentando-se inicialmente no Hôtel Bullion de Paris, fixando-se posteriormente nas Tulherias, sob o patrocínio de Maria Antonieta.

À época, os músicos eram, em sua maioria, maçons, e muitas associações de concerto eram ligadas a Lojas Maçônicas. Valores como a harmonia social e a igualdade a partir dos méritos encontraram na música um terreno ideal para florescerem e se expressarem em novos gêneros como a sinfonia concertante.

Hoje a nova orquestra, de formato variável, é construída sobre um modelo único na França, chamando à colaboração os melhores solistas e regentes. Ela oferece música de câmara, sinfônica e programas vocais dirigidos por seu líder ou por maestros convidados, e mantém um amplo repertório, que vai do Barroco à virada do século XX. A meta dessa recriação é também explorar novas formas de concerto, inspiradas por seu desdobramento original do final do século XVIII. Projetos mesclam diferentes gêneros e artistas, inclusive no mesmo concerto, e estabelecem vínculos com outras disciplinas artísticas.

Como consequência da pesquisa sobre a música francesa, que vem sendo empreendida há mais de dez anos por seu fundador Julien Chauvin, o conjunto continua a trazer à luz do dia e a recriar obras esquecidas do repertório nacional, em parceria com o Centre de Musique Baroque de Versailles e com o Palazzetto Bru Zane de Veneza.

O programa Haendel, é formado pelas seguintes árias:

Abertura (excertos da ópera Radamisto)

Recitativo “Son pur felice” e Ária “Bel contento” (excertos da ópera Flavio, re de’ Longobardi)

Recitativo “Son stanco” e Ária “Deggio morire oh stelle!” (excertos da ópera Siroe, re di Persia)

Peça Instrumental

Ária “Se potessero i sospir miei” (excerto da ópera Imeneo)

Recitativo “Vieni d’empietà” e ária “Vile, se mi dai morte” (excertos da ópera  Radamisto)

Recitativo “Che mi chiama alla gloria” e ária “Se parla nel mio cor” (excertos da ópera Giustino)

Recitativo “Inumano fratel” e ária “Stille amare, già vi sento” (excertos da ópera Tolomeo, re d’Egitto)

Peça Instrumental

Ária “Ombra cara” (excerto da ópera Radamisto)

Recitativo “Privarmi ancora” e ária “Rompo i lacci” (excertos da ópera Flavio re de’ Longobardi)

Ingressos e informações: 2332-9191

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Praça Marechal Floriano S/N

Tags: Arte, coluna, concerto, cultura, maria luiza nobre, música, sol maior, theatro municipal

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