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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018 Fundado em 1891
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Conversando com pesquisador Luiz Antonio de Almeida

Jornal do Brasil Maria Luiza Nobre

Nossa conversa, hoje, é  com Luiz Antonio de Almeida, o biógrafo oficial de Ernesto Nazareth, a quem chamamos de “herdeiro” espiritual.

Também pode ser considerado o “neto” que o compositor de “Odeon” nunca teve, de fato, mas sim, de alma. É pesquisador de música brasileira, e desde 1976 começou seu trabalho sobre a vida e a obra do grande compositor Ernesto Nazareth, colaborando também com o site “Ernesto Nazareth 150 Anos”, criado para homenagear a memória do compositor de “Brejeiro”.  Atualmente trabalha no Museu da Imagem e do Som, MIS, onde ajudou na identificação de aproximadamente quatro mil fotografias doadas ao museu pelo pesquisado e jornalista Sergio Cabral.

Você é tido como o herdeiro espiritual de Ernesto Nazareth. Quais são os projetos de valorização da imagem do grande compositor a longo prazo?

O pesquisador Luiz Antonio de Almeida

Trata-se de um título recebido com grande simpatia. Realmente, meu interesse por Ernesto Nazareth transcende a este mundo. Já cheguei a imaginar, mesmo não sendo espiritualista, que numa outra vida eu tivesse prejudicado o compositor e agora, na presente "edição", teria que me retratar, que recompensar Nazareth de alguma maneira. E nada mais inteligente que na condição de biógrafo e "herdeiro".

Sendo o biógrafo oficial de Nazareth, sabemos que você realizou uma grande pesquisa, minuciosa mesmo, que se tornaria um livro,que todos estão esperando para comemorar o ano Nazareth. Uma vez que o livro já está escrito e pronto, perguntamos por que ele ainda não está com a noite de autógrafos agendada?

Sim, uma pesquisa minuciosa, terminada e aguardando o interesse dos editores. Já distribuí algumas cópias, mas ninguém me responde, ninguém fala nada. Cheguei a pensar que o meu livro deveria ser muito ruim e que ninguém tinha coragem de me dizer. Porém, quando leio as biografias editadas em profusão por aí, que não trazem nenhuma novidade, que, simplesmente, não passam de cretinas compilações feitas às pressas para atender algum edital ou convite de editor amigo, repenso minha situação e vejo que o problema não está comigo. Acredito, contudo, que ainda nesse ano, em que comemoramos o 150º aniversário do nascimento de Ernesto Nazareth, nós tenhamos surpresas maravilhosas em relação a edição dessa biografia de 37 anos.

Amigo de vários compositores, conte para os leitores um pouco da sua amizade com o saudoso compositor Francisco Mignone?

Quando o maestro Francisco Mignone fez 80 anos, li, em matéria publicada pela imprensa, que ele fora amigo de Ernesto Nazareth. Mandei uma carta para ele dizendo do meu interesse em entrevistá-lo e saber mais a respeito desse assunto. Nunca mais saí da casa do Mignone. Ainda que tivéssemos uma diferença de aproximadamente 60 anos, nos tornamos grandes amigos. Um dia, apareci na casa dos Nazareth e me tornei o "neto" que ele jamais tivera. Apareci na casa do Mignone e me transformei num amigo inseparável. São lembranças positivas que guardarei para sempre comigo.

Obrigada, Luiz Antonio, pela conversa.



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