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Depois do Carnaval

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        Tem uma antiga música do Jair Rodrigues que diz: “... depois do Carnaval vou tomar juízo...”.  Alguém que passou quatro dias de folia tomando todas e mais algumas pode se esquentar e dizer: “Depois de tudo que tomei, não aguento mais uma dose de nada, nem de juízo”. Brincadeirinha à parte, é Carnaval e estamos no Brasil, portanto, goste ou não da festa folclórica, não há o que fazer. Ela estará nas TVs, rádios, sites, bares, ruas, conversas com os amigos. Obviamente há opção por retiros, e isso é muito bom num país democrático, a liberdade de escolher.

        Eu nem danço, muito menos sei sambar ou correr atrás de trio elétrico. Carnaval pra mim, aliás, durante anos e mais anos, em rádios e jornais, sempre foi sinônimo de muito trabalho. Que o digam meus amigos Antonio Franco (radialista) e o Nicollucci Júnior (este radialista e apresentador de TV). Certa vez, participamos da loucura de (em apenas três pessoas, Nicollucci de âncora, eu de repórter e um técnico no estúdio) cobrir quatro dias de Carnaval, inclusive desfile de rua, em Campinas, nos anos 80. Este ano, a cidade de mais de 1 milhão de habitantes vê seu Carnaval minguando, sem graça e poesia.     

        Mas este é outro assunto. Como disse o poeta Vandré, vamos, com responsabilidade, fazer da tristeza, em mais este Carnaval, a maior fantasia, transformando-a em alegria e paz. Como disse o Chico, amigo do Martinho da Vila, que dormiu no desfile da Ciranda, Cirandinha, é certo que tem mais samba no encontro do que na espera. Portanto, para quem não gosta de Carnaval, o negócio é dormir em retalhos de cetim, como poetizou o Benito. Para quem gosta, a hora é de sair atrás do trio elétrico, assim fez o baiano Caetano.

        Como Carnaval é uma grande brincadeira, aqui vão dicas para não passar vergonha na festa. Não vá confundir bateria de escola com batedeira de bolo; evolução (da escola de samba) com a teoria do Darwin; mestre-sala é o dançarino que corteja a porta-bandeira, por isso nem procure “mestre-cozinha”, “lavabo” ou qualquer outro cômodo. No Carnaval puxador é intérprete de samba-enredo, não procure outras conotações que acabe achando. omissão de frente? Melhor nem comentar... Você pode até perder alguns amigos se perguntar  por que a Terça-Feira Gorda não faz regime. Ou por que chamam de Quarta-Feira de Cinzas um dia tão ensolarado?  

        Oh, abre alas que eu quero passar...   

Edson Silva é jornalista - [email protected]