O Irã não é dono do Estreito de Ormuz
Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, conhecido financiador dos grupos terroristas Hamas e Hezbollah que lutam pela destruição de Israel, e é amigo do peito do ditador Raúl Castro e dos bolivarianos Hugo Chávez e de seus discípulos Rafael Correa, Evo Morales e Daniel Ortega, parece que perdeu de vez a sensatez (só falta entrar no grupo a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que não perde a oportunidade de cercear a liberdade de imprensa, o que lhe daria a oportunidade de implantar de vez a ditadura no seu país).
Acreditando que suas fanfarronices intimidam alguém,Ahmadinejad nestes últimos meses anda ameaçando fechar o Estreito de Ormuz, que é uma via de navegação internacional e, portanto, não pertence nem ao Irã nem a nenhum outro país.
Talvez, por falta do que fazer, pois ele não passa de um grande fantoche — já que o poder real no Irã está nas mãos do chefe do Conselho de Guardiões e do Guia Supremo, o aiatolá Sayyid Ali Hossayni Khamenei, e que, segundo o artigo 110 da Constituição iraniana, pode, inclusive, demiti-lo —sai por aí fazendo turismo às custas do contribuinte iraniano.
Se por acaso, Ahmadinejad ou, melhor, os aiatolás iranianos resolverem fechar o Estreito de Ormuz, não será absolutamente necessária nenhuma intervenção do Ocidente, pois os seus vizinhos árabes tomarão a iniciativa de abrir esse estreito (os iranianos não são árabes e sim persas, são xiitas e não sunitas, e falam o farsi).
Façamos uma análise da composição da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A Organização é composta de 12 países, a saber: Argélia e Líbia, situados no Magreb, norte da África; Angola e Nigéria, na África (costa do Atlântico); Equador e Venezuela, na América Latina; e Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, no Oriente Médio.
Até novembro de 2011, inclusive, todos os 12 membros da Opep produziram uma média diária de 29,660 milhões de barris/dia (mbd) de petróleo (www.opec.com). Desse total, 17,710 mbd, ou seja, 59,71%, foram produzidos por somente cinco países: Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que dependem da livre passagem pelo Estreito de Ormuz para transportar não só petróleo bruto mas, também, os seus derivados, gás natural e GNL.
Pergunto: alguém de sã consciência acha que esses cinco países, que têm o petróleo e o gás natural como suas únicas fontes de renda, ficarão de braços cruzados diante da arbitrariedade do Irã? Alguém acredita que a bem armada Arábia Saudita, com os mais modernos equipamentos e maior produtor mundial de petróleo, com uma produção média diária de 9,228 mbd, vai ficar esperando que alguém abra o Estreito de Ormuz para ela? Podem ter certeza: a reação saudita será imediata e dura, e o Estreito voltará a ser uma via navegável livre de interferências.
Todas essas ameaças por parte do Irã resultam do seu desespero em função das cada vez mais crescentes sanções internacionais ao país por causa da sua falta de transparência em relação ao seu programa de energia nuclear. Apesar de anunciar aos quatro ventos que seus fins são pacíficos, ninguém dá crédito a estas afirmações, pois os interlocutores não são confiáveis. Ou alguém acredita no que diz Ahmadinejad?
Se de fato o enriquecimento de urânio é só para fins científicos e geração de energia, então que se abram todas as instalações para inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica; “Quem não deve, não teme”.
Se os aiatolás do Irã partirem para o ato desesperado de bloquear Ormuz, veremos numa primeira etapa o que aconteceu com o Iraque que, em 2/08/1990, invadiu o Kuwait, o que resultou na reação de uma coalizão de 31 países sob o nome Tormenta do Deserto, iniciada em 17/01/1991 para libertar o país (o Iraque se rendeu em 28/02).
Na sequência, guardando as devidas proporções econômicas, políticas e geográficas, veremos no Irã o mesmo que ocorreu com a quixotesca aventura argentina para conquistar as ilhas Falklands/Malvinas em 1982, quando a Argentina foi derrotada pelos ingleses e se iniciou, por fim, a derrocada do regime militar argentino. Se o Irã resolver partir para essa tresloucada decisão de acreditar que o Estreito de Ormuz lhe pertence e, portanto, pode fechá-lo a seu alvedrio, será vergonhosamente derrotado pelos vizinhos árabes. o que resultará no fim do regime teocrático ditatorial imposto aos iranianos em 1979 (será uma ditadura a menos, e a democracia agradece).
Humberto Viana Guimarães, engenheiro civil e consultor, é formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, com especialização em materiais explosivos, estruturas de concreto, geração de energia e saneamento
