Dos 7 bilhões de habitantes recém-alcançados, 26% são da classe média. No ano de 2030, em que se projeta uma população de 8 bilhões no mundo, a previsão é que a classe média chegue a 60% deste contingente, dos quais 66% vivendo na Ásia. Ou seja, até lá, mais de 3 bilhões de pessoas serão incluídas nas estatísticas de melhora social e econômica, sendo na sua maioria chineses e indianos.
Hoje, 54% da classe média do mundo estão concentrados nos EUA e na Europa, e representam 64% do consumo global. Na Ásia, este contingente é de 28%, e 23 do consumo. Outra previsão é que em 2020 a classe média americana e europeia despenque para 32%, e seja responsável por 46% do consumo do universo. E até 2030, apenas 21%, e 30 do consumo mundial. Já em 2030, os asiáticos terão 66% da classe média do universo, e 59% do consumo global.
Hoje os países que compõem o G-7, como EUA, Japão, Alemanha, Canadá, França, Itália e Reino Unido, têm um PIB de 40% do mundial, na casa dos US$ 62 trilhões. Mas até 2020 este bloco terá uma participação de apenas 32%. Já a participação no PIB mundial dos principais países emergentes, como Brasil, China, Índia, Rússia, dos atuais 28% saltará neste período para 38%.
Outra previsão importante neste cenário da dança dos números das riquezas produzidas é que a China, que hoje tem 13% do PIB do universo, deverá se equiparar em 2020 ao dos EUA, na faixa dos 18%. É bom lembrar que o PIB americano neste ano de 2011 deverá alcançar algo em torno de US$ 15 trilhões, e o da China US$ 6,6 trilhões. E, enquanto o crescimento da economia americana patina na faixa de 1,5% neste ano, o da China há três décadas se mantém próximo dos 10% ao ano.
Este quadro deixa claro que estamos próximos de uma reviravolta nos números dos países que até aqui alavancavam a economia mundial. Porque desde a década de 50 o consumo da classe média dos EUA e da Europa é que dava um norte para o crescimento econômico global. Mas o mesmo quadro está mudando. Hoje os chamados países emergentes como a China, Índia e o Brasil entre outros crescem, distribuem renda, diminuem a pobreza, e ainda concentram grande interesse dos investidores internacionais, que despejam bilhões de dólares anualmente, porque nestas economias é que o consumo avança.
Logicamente que o Brasil poderia estar melhor neste ranking de desenvolvimento. O seu PIB anual, hoje na casa dos US$ 2,2 trilhões, ou 3,2% do mundial, deveria ser bem maior se os nossos governantes investissem mais em educação, infraestrutura, Judiciário célere, reforma tributária que privilegiasse a produção, além da diminuição de impostos, que é a mais alta e perversa do mundo. Ou seja, 36% de toda a riqueza produzida. O que não estimula o desenvolvimento, como muito bem faz há anos a China, que entre outras ações importantes tem uma carga tributária de apenas 25% do PIB.
Logicamente também que com os avanços de países outrora pobres, muda também o poderio político. Se os EUA e a Europa vão precisar adaptar-se a estes novos tempos, nós, aqui no Brasil, não vamos poder deixar de prescindir de eleger governantes lúcidos, éticos e com capacidade de liderança capaz de viabilizar as nossas prioridades.
* Paulo Panossian é jornalista. - [email protected]