Imaginem se as perdas com os royalties do petróleo fossem do Rio Grande do Sul! Não duvido que, em poucos minutos, os gaúchos organizariam uma revolução e proclamariam a independência do estado. Até consigo imaginar as barricadas no Palácio Piratini, as trincheiras organizadas por barbudos com lenço vermelho no pescoço, o chimarrão queimando durante a noite e os generais do Terceiro Exército organizando suas tropas para proteger o levante.
Se fosse no Rio Grande, os facões sairiam das bainhas, o charque assaria nas fogueiras, Garibaldi reencarnaria em algum imigrante italiano, o Veríssimo faria crônicas arrebatadoras, a torcida do Inter fecharia as fronteiras e o Renato Borghetti tocaria o hino farroupilha com sua gaita ponto. Se fosse no Rio Grande, haveria luta. Mas a perda é do Rio Pequeno, o Rio de Janeiro.
O Rio de Janeiro começou a ficar pequeno na década de 1960, com a mudança da capital para Brasília e, de lá pra cá, a situação só piorou. Perdemos na política, perdemos na economia, perdemos na segurança, perdemos na referência. Ah, sim, continuamos como a capital cultural do país, mas dividimos esse royalty com a violência, sempre pontificada mundo afora como nossa maior mazela. Sem falar em outros problemas graves, como a falta de saneamento, a saúde sucateada e um obsoleto sistema de transportes. Mas o que esperar agora, quando deixaremos de arrecadar R$ 3 bilhões já em 2012, sendo que esse valor anual deverá duplicar até 2019?
Permitam-me responder: não devemos esperar. Se a presidente Dilma não vetar o projeto aprovado no Senado, está na hora de pensarmos em sair da Federação. Tomemos, pois, o Palácio Guanabara, torcendo para que o governador se junte a nós assim que chegar de Paris. Independência já! Queremos o Rio de Janeiro fora do Brasil. Se não temos chimarrão, podemos servir um chope gelado nas barricadas, acompanhado de um torresminho, claro, porque ninguém é de ferro. E, na falta do Renato Borghetti, chamamos o Dicró e o Zeca Pagodinho, além da bateria do Salgueiro pra manter a cadência da Revolução.
O Arnaldo Jabor pode aparecer no jornal da noite para incendiar os intelectuais, a Miriam Leitão explica os gráficos e o Zuenir Ventura reúne a cidade partida, quer dizer, o estado partido. A raça rubro-negra ocupa a fronteira com São Paulo, a Young Flu toma a divisa com Minas e as caravelas vascaínas protegem nossos mares petrolíferos. Todos os pilotos de asa-delta serão chamados para a Força Aérea. As garotas de Ipanema serão convocadas para o serviço de inteligência. Os moderninhos do Leblon ficarão na retaguarda. Na Serra, no Norte Fluminense e na Costa Verde, milhares de voluntários se levantarão contra a injustiça, tomando o destino do povo em suas mãos enrugadas pelas enchentes do ano passado, já que não terão mais verbas para reconstruir as cidades.
Chegou a hora. Queremos o Rio de Janeiro fora do Brasil. E se você acha que tudo isso é uma piada, espere até ter sua aposentadoria cortada, seus filhos sem emprego e seu município em permanente estado de calamidade pública. Infelizmente, meu amigo, esse é um caso concreto de: independência ou morte.
Ou assunto pra mais um chopinho na praia.
Felipe Pena, jornalista e escritor, é professor da Universidade Federal Fluminense, autor de 11 livros e doutor em literatura pela PUC-Rio, e tem pós-doutorado em semiologia da imagem pela Universidade de Paris – Sorbonne III
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Concordo com a posição do Rio de Janeiro e faço uma proposta: A parte que cabe à União ( 49%) não poderia ser dividia entre os estados não produtores? Está faltando é bom senso !
Alder Oliveira L. e Silva, Rio de Janeiro
O autor não fique dando esse tipo de sugestão. Na atual circunstância, a maioria vai querer 'se livrar" do nosso Estado. O Rio tem de repensar seu desenvolvimento, porq que só o Rio vai falir, por causa da perda de parte dos royalties? E os estados que não recebima royalties, não faliram por quê? E daqui algumas décadas quando o petróleo parar de jorrar, virá inapelavelmente a falência de nosso estado?
Amanda, São Paulo
Seria uma excelente idéia! O país não perderia nada com esse egocentrismo Carioca. Fiquem também com toda a violência e trafico de drogas!
Luiz Carlos Feidman , Rio de Janeiro
Concordo com o Professor, só não aceito a participação desse desgovernador, vamos formar um PAÍS, mas sem esses politicos que por onde passam deixam marcas de incopetencia e de ...
RD, Curitiba
Com a quantidade de escândalos de INSS, carteiras de habilitação, tráfico de armas, de drogas, de arrastões, explosões de bueiros, superfaturamento em estádios, etc, etc, etc...que estouram todo dia, em todo noticiário, no estado do Rio, apoio totalmente a independência. Temos que dividir, por igual, os custos e índices da criminalidade e das falcatruas e não querem dividir os lucros do petróleo...vinde a mim tudo e ao vosso reino nada...muito legal. Independência para os cariocas já.
Gerivaldo Gomes Luna de Oliveira, Rio de Janeiro
Se meu comentário não for aprovado será censura.... Farei twittaço então...
Vanda Magalhães Vieira, Rio de Janeiro
Concordo: porém, antes vamos devolver para seus estados todos os não cariocas, limpar as favelas devolvendo todos para seus estados de origem, e também os abastados que só querem aproveitar das belezas do RIO e nada fazem para melhorar e defender o ESTADO, por último fiquem com todo royalties, e nos devolvam a cobrança do ICMS na origem isso dá três vezes que os royalties, será que São Paulo vai gritar.Políticos o ICMS na origem tem ser de imediato. Aí sim pode se tentar a independência. A inveja é mesmo muito triste.
Geraldo P Andrade, florianópolis
Poderiam se transformar numa Penitenciária - Estado, basta cercar as fronteiras fluminenses....kkk que bobagem o Brasil é de todos nós e o Rio com sua beleza também, o problema que não são só os royaltes do petroléo que enriquecem o Rio, tem as verbas da Marinha, para manter, as escolas navais, escolas de marinheiros, escola de fuzileiros navais, )e os estaleiros navais na baia da Guanabara, as verbas do exercito dos seus principais quarteis e escolas como a AMAN ( Academia Militar das Agulhas Negras, da manutenção com essas verbas federais que embolsa o estado do Rio de Janeiro, herança da época da antiga capital federal.
Orlando Castor, Teresópolis (RJ)
Concordo com a ideia. Está na hora de o Rio de Janeiro se levantar da série de vilipendiações que o Estado vem sofrendo ao longo das décadas. Duvido se o assalto aos royalties fosse em São Paulo, no Paraná, ou do Rio Grande do Sul se haveria aprovação de lei e de emenda; logo engavetariam o projeto. Sou jornalista e vejo como a mídia nacional não se proclamou quanto a essa história; ah, mas se fosse a usurpação dos royalties paulistas a história seria diferente: série de reportagens na Band, na Globo e tal. Está na hora de pedirmos independência mesmo!!!
franciscoalvesfranca, mossoro - rn.
Um sujeito que estudou ate no exterior, possui uma visao de pais, tao pequena, professor ajude os seus alunos com exemplos de brasilidade e amor a patria, nos aqui nos confins do nordeste, estamos cada vez mais vendo os investimentos da petrobras na bacia potiguar diminuirem dia apos dia, para ser aplicado no pre-sal e nem por isso estamos desesperado. queremos sim educaçao, moradia dig na, petroleo passa e a populaçao permanece no mesmo lugar.
Evandro Gil, Rio de Janeiro
É obvio que o 'cara' que criou o argumento de dividir/subtrair os 'royalties do Rio' está enciumado e com inveja (coisa da pequenez do ser humano de pouca evolução). Eu nunca fui até os pampas para cobrar a divisão dos royalties das picanhas produzidas naqueles campos. Não tenho recursos proprios para comprar picanha mas nunca pensei em socializar a produção deles por isso. Os royalties são compensação e retribuição, não é 'lucro'. Ele devia cobrar a parte que lhe cabe, e a todos os outros da federação, ao governo federal. Este, sim, é que tem a obrigação de redistribuir o maior montante da receita sobre o petróleo explorado, a todos os brasileiros. Federalizar a parte que cabe exclusivamente ao Rio de Janeiro e os outros estados produtores, é, no mínimo, apropriação indébita. Os representantes das outras unidades da federação não produtores de petróleo entraram neste 'oba-oba', um verdadeiro 'arrastão', criado pelo sujeito recalcado, a fim de se dar bem com mais alguns trocados. Como Carioca sinto-me assaltado também por isso. Se socializarem os royalties cariocas, vamos socializar tudo de todos no nosso Brasil. Vou querer minha parte em picanhas, agua de coco, cupuaçu, açaí, tambaqui, tainha, lagosta, ... Ha de se notar que o capim que alimenta as vacas deles é solo de todos os brasileiros... Vou requisitar minha parte como brasileiro em contra-partida dos royalties perdidos/socializados da minha parte carioca.
anthony kudsi rodrigues, rio de janeiro
Como publicaram comentários bem fundamentados dos que defedem o Rio de Janeiro,mesmo que não sejam os meus, retiro o que disse ontem.
Edivaldo do Rego Barros Filho, Duque de Caxias/RJ
Falar nisso,o dinheiro dos "roialties" vai pra onde, afinal???? Pra educação,saúde e segurança dos cidadãos cariocas é que não vai, com certeza...!!!!!
Henrique Zucatelli, São Paulo
Adoro a idéia de emancipação. Existem alguns estados que servem somente para sugar a receita dos outros... Não concordo com isso aqui em São Paulo também, e já espalhei muita brasa sobre isso na internet.
Se os cariocas agora estão tão ofendidos com esse assalto ao dinheiro que deveria ser destinado ao Rio, imagine nós, paulistas, responsáveis por pagar 50% dos impostos nesse país, como nos sentimos, ao saber que tem certos Sarneys e Collors por aí que andam de helicóptero, fazem carnavais de um mês, depois enfiam "bolsa mendigo" guela abaixo desses analfabetos, tudo isso com nosso dinheiro...
Kadu, Nova Iguaçu/Rj
Quanta bobagem num só artigo. Pra ficar pior, só os comentários dos "cariocas"... No mais, concordo com o Alder e com o Francisco de Mossoró.
Mônica, São Gonçalo-RJ
É injusto!!! Claro que quem produz deve receber mais! Ninguém fala dos riscos da exploração do petróleo.
Daniel, SC
Pronto, querem fazer mais uma "Bolívia, com fronteira com o Brasil. Não seria nada mal, isolar os egocêntricos na terra deles. Só lembrem que o Petróleo um dia acaba, e assim como São Paulo, o Rio também "suga" uma boa parte das verbas destinadas aos Estados, que nesse caso, não teria mais essa "mamata". E quando o Petróleo acabar, vão lá cobrar impostos nas Favelas, ou quem sabe, colocar impostos sobre as drogas e armas que chega no Estado.