Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Carta aberta ao ilustríssimo governador do estado do Rio de Janeiro

Wander Lourenço de Oliveira

Prezado governador Sérgio Cabral Filho, subscrevo-me por meio desta missiva para, publicamente, reivindicar um antigo direito social de uma parcela da sociedade que, segundo consta nos registros históricos fluminenses, em muito contribuiu para êxito e ascensão nos primórdios da sua aclamada trajetória política – os desassistidos idosos do estado do Rio de Janeiro.  Refiro-me ao catastrófico patamar de desrespeito e humilhação no tocante à Saúde Pública, a que são arremessados os padecentes da terceira idade nos hospitais da rede estadual, capitaneada à deriva pelo "ministrável" Sérgio Cortez. 

Há inclusive inúmeros casos de internação no Hospital Azevedo Lima, em Niterói, em que o ancião paciente do mal administrado setor de ortopedia, muitas das vezes em seu enferrujado leito de morte, vem a ser obrigado a conviver com homicidas, traficantes de drogas, sequestradores e assaltantes de banco alvejados por bala de fogo sob custódia de sentinelas pertencentes ao quadro da Polícia Militar. Por obséquio, senhor governador, com a máxima urgência, procure se preocupar com estes seus fiéis eleitores que, com responsabilidade e esperança, o ajudaram a assumir o atual cargo de maior importância, juntamente com a eleição para o Senado da República.

Por gratidão aos anciãos eleitores e suas respectivas famílias, governador Sérgio Cabral, procure aproveitar os investimentos da Copa do Mundo/2014 e a Olimpíada/2016, para viabilizar a construção de um Hospital da Terceira Idade, para atender com excelência a população com mais de 60 anos, cujos parcos rendimentos de suas aposentadorias não podem arcar com as altas mensalidades de um plano de saúde. Sugiro uma justa homenagem ao cardiologista Adib Domingos Jatene para batizar o Centro de Reabilitação do Idoso que deverá, por determinação de um decreto assinado por suas habilidosas mãos, ser assistido por profissionais habilitados em suas múltiplas funções fisioterápicas, ambulatoriais e cirúrgicas de um modo geral. 

Peço apenas honradez e sensibilidade, meu nobre governante, diante do sórdido patamar de descaso e sofrimento daqueles que, efusivamente, comemoraram com Vossa Excelência a última e legítima vitória de sua reeleição, em primeiro turno, para governador do estado do Rio de Janeiro.  Se for útil e preciso, meu caro Sérgio Cabral Filho, afirmo que nesta correspondência posso até acalentar a sua frágil memória com as lembranças de longínquas promessas que, na plenitude do caloroso discurso de palanque de campanha, asseverava-se que o combalido cidadão da Terceira Idade seria recompensado pelo apoio irrestrito ao revolucionário projeto de cidadania e resgate da dignidade dos incautos e decrépitos doentes da rede pública de saúde, vítimas de uma hipocrisia viciada por desprezíveis e habituais práticas eleitoreiras.  

Explicito também que os atenuantes acenos enviados por intermédio das Unidades de Pronto Atendimento, popularmente conhecidas como UPAs, com atendimento 24 horas, não surtem efeito, porque quem recorre aos “alçapões refrigerados do Cabral”, diga-se de passagem, em qualquer faixa etária, reconhece literalmente na carne a nítida precariedade dos serviços médico-hospitalares repletos de negligentes ausências. A outra opção de atendimento para os alquebrados padecentes da rede pública de saúde seria o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), que se caracteriza por representar um “centro de excelência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos de média e alta complexidades”. Até que de boa-fé os idosos confiariam na divulgação pela internet de consideráveis dados estatísticos, cujos números exaltam o poder de diálogo com o SUS, caso as pessoas não aguardassem uma média de três a cinco anos por uma intervenção cirúrgica.     

Estimado governador, este depoimento será ilustrado com a história do ex-bancário aposentado senhor Altamiro Gomes de Oliveira, que, após se acidentar em dezembro de 2010, deu entrada na emergência de um hospital da rede pública; e, mesmo sendo constatada a fratura, recebera alta do médico de plantão do Hospital Azevedo Lima. Ao retornar no dia seguinte com dores insuportáveis, o doutor Wilton Pimenta o encaminhou para UPA/Fonseca que, pela gravidade do ferimento, de imediato devolveu-o ao hospital.  Após uma semana sem atendimento, enfim o paciente recebeu ordem de internação numa maca de corredor da unidade, onde contraiu uma infecção hospitalar que quase lhe mutilara o membro esquerdo fraturado.  Com um quadro de erisipela, o idoso de 69 anos ficou internado por aproximadamente dois meses na ala masculina da enfermaria ortopédica a poder de antibióticos e tranquilizantes. 

Quando a ferida cicatrizou, pela complexidade da fratura, o paciente não conseguiu vaga para a cirurgia e, hoje, após nove meses da fatídica queda, o idoso permanece com o braço aleijado por falta de recursos humanos e financeiros. Governador Sérgio Cabral Filho, este senhor é meu pai; e, para encerrar, faço votos de que a edificação do Hospital da Terceira Idade – Centro de Habilitação do Idoso Adib Jatene –, se concretize à luz de uma redenção humana. Enfim, peço a Deus que sem isto o seu festejado progenitor jamais necessite passar pelo constrangimento de ser atendido pela rede pública de saúde do estado do Rio de Janeiro.        

Wander Lourenço de Oliveira, doutor em letras, é professor da Universidade Estácio e autor dos livros ‘Com licença, senhoritas (A prostituição no romance brasileiro do século 19)’ e de ‘O enigma Diadorim’

Tags: Artigo, wander lourenço de oliveira

Compartilhe:

Comentários

22 comentários
  • sheila de almeida barreto, recife

    Ao ler este documentario ou carta, fiquei bastate triste e com vergonha dos nossos gorvernantes por eles terem conciência e certeza de como está a saúde publica, não so do estado do rio de janeiro mais de todo o pais e não fazem nada para que isso mude ou melhore. Concordo plenamente com o senhor professor, pois não so no rio de janeiro mais em todos os estados do brasil deveriam e devem haver unidades hospitalares especializadas para idosos.

  • Romilda de Campos ramos, Maricá- RJ

    Prezado Professor Wander, vivemos de ilusões e utopias. Vivemos entre a farsa do politicamente correto e a realidade dos BBBs, Fazendas, UPPs, UPAS, e tantos PES e siglas que não mudam em nada a vida do brasileiro. Apenas mascaram de forma hedionda o sofrimento humano. Como toda maquiagem borra. Assim são nossos dias, nossa vida. Achamos lindo o RJ virtual que "vendem" país afora, mas nós que vivemos no RJ real sabemos que não é assim. Nós, nos exaperamos por que existem Recursos Federais, Estaduais, Municipais para a saude e no entanto existe uma burocracia tremenda que faz estes recursos darem centenas de curvas e caminhos, e muitas vezes nem chegam aos nossos doentes.Temos o INTO pronto, que não é inagurado, por que ? Que não é feito Concurso Público por que ? A Lei 8080 que descreve o SUS é perfeita, é belissima, um sistema amplo que atinge a populaçao integramelte. Temos elogios mundialmente. E no entanto não temos sequer macas .....seria engraçado senão fosse trágido. Lei do Idoso, só no papel....nossos idosos são humilhados diariamente nos onibus, no transito, nas filas, no preço dos alimentos, na triste e cruel realidade brasileira. Aqueles sonhos utópicos da SBGG, do Dr Alexandre Kalache.....ficaram no passado, somente nas fotos do então politico Sérgio Cabral. A nós povo resta reclamar, procurar a Justiça que vive cheia de processos e praticamente travada. Resta-nos acreditar em DEUS, por que nos homens.....

    ROMILDA DE CAMPOS RAMOS- ALUNA de HISTÓRIA-EAD-NITEROI-ESTACIO de Sà

  • Emiliano Sousa Leite, Fortaleza-CE.

    Uma vergonha a rede de saúde pública do Estado do Rio de Janeiro. Eu diria que a rede de saúde pública do RJ está na UTI, e não exite outro remédio senão investimentos. Recursos existem mas são mal aplicados. E o que falta realmente é boa vontade política.

  • Lú Soares, Rio de Janeiro

    Mais uma vez agradeço em nome de todos os idosos pela sua coragem de escrever sobre a caótica saúde pública. Eu como mãe de um médico, sei muito bem qual o estado do hospital Rocha Faria, quando os pacientes chegam e ficam esperando nos corredores nas macas de aço geladas, já à beira da morte sem ao menos ter vaga para serem assistidos. A saúde pública e Educação são as palavras mais usadas para se ganhar votos em época de eleição. De uma certa forma, somos culpados em acreditar em promessas, porque logo eles ganham, esquecem de seus fiéis eleitores. Parabéns, caro Dr. Wander Lourenço,por mostrar o que todos sabem, porém, se negam a enxergar.

  • Edna de P Sant Ana , RJ EAD ESTACIO RJ

    Caro Professor, isto não não acontece somente no Rio de Janeiro, isto aconteceu com meu saudoso papai Cícero Sant´Ana, na última semana de vida, passou mal e o levamos a um hospital no Litoral de São Paulo, como era um idoso, ficou em um corredor do Hospital à espera de um leito e infelizmente, não fizeam nada por ele... ao ler sua carta aberta ao Governador do Rio de Janeiro, fiquei muito emocionada e queria lhe agradecer de ter a coragem, atitude de não ficar calado pois temos nossos direitos, pagamos impostos, somos seres humanos, dignos de um tratamento eficáz, a saúde pública esta péssima. Realmente os governantes devem olhar mais para os idosos, deve sim ter hospitais para a 3º idade, devemos reclamar, reivindicar pelos nossos direitos de cidadãos. Parabéns Professor!!

  • Iole Camargo, Rio de Janeiro

    A carta do Sr.Wander é um testemunho do abandono e da falta de políticas públicas em relação a população que mais cresce no Brasil, os idosos.Senhor Governador, sua prioridade declarada em campanha nos trouxe esperanças.Não deixe que se apague a nossa credibilidade nos políticos, coisa muito desejada por parcela da grande imprensa e infelizmente absorvida por grande parte da população.

  • Djalma Carvalho, Rio de janeiro

    Olá prof. por acaso o sr acha que o nosso ilustre governador vai tomar conhecimento do drama pelo qual o sr está passando??????????????????? Claro que nãoooooooooooooooooooooooooooooo.

  • Eloisa Helena , Vila Velha - ES

    É um absurdo professor, os nossos governantes tendo conhecimento de tamanha crueldade, não só com os idosos, mas com as crianças, jovens adultos que imploram atendimento nesses corredores de hospitais e alguns morrendo sem atendimento, sem misericórdia, não terem a sensibilidade de olhar para o povo, de lutar, se dar, fazer valer as palavras ditas nos palanques para obterem nossos votos. Quando chegam ao poder se misturam na teia tecida pelo sistema, pelos que já estão lá dentro do governo cuidando dos seus próprios interesses esquecendo das promessas de campanha.
    Aqui no ES é uma vergonha. Nós assistimos pela TV pessoas desesperadas com familiares à beira da morte sem terem o que fazer a não ser gritar, se escabelar devido à aflição causada pelo descaso com a saúde. Parabéns professor pela sua reivindicação. Que as suas palavras sejam lidas e ouvidas não só pelo governador do Estado do Rio de janeiro, mas por todos os brasileiros

  • Tiago,

    Olá Prof. Wander, Boa tarde !
    Realmente o questão da saúde no estado do Rio de Janeiro está longe de ficar ruim, acredito que o nosso Governador não tenha percebido estas falhas,Pelo simples motivo de que o mesmo não precise utilizar destes serviços públicos .

  • vaneide mangueira, aracaju/SE

    Carissímo professor, a saude pública no nosso país está doente, em fase terminal. Enquanto nossos políticos estão preocupados com o aumento de salário. Como eleitores devemos lembra-los das promessas que ouvimos,as quais nos fizeram elege-los.

  • Wilma de Mendonça, Riio de Janeiro (RJ)


    Prezado Prof. Wander
    Lendo, atentamente, a carta aberta de V.Sa., dirigida ao Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, cumpre-me, na qualidade de leitora e Acadêmica de Letras, e já na casa dos 72 anos, não só parabenizá-lo por todos os argumentos e questões colocados no que se refere ao tratamento hospitalar prestado aos idosos. Ratifico sua perplexidade diante do descaso com os idosos. É tempo das autoridades se preocuparem com as instalações hospitalares, estaduais e municipais para acolhimento aos idosos. Urge o cumprimento das promessas eleitoreiras. O idoso não pode esperar. Até quando a situação da saúde em nosso Estado será encarada com tamanha indiferença e displicência por parte das autoridades competentes? Essas perguntas precisam não só serem respondidas como, também, implantadas as devidas providencias. Urge solucionar o assunto do atendimento hospitalar ao idoso. Afinal, todos nós um dia seremos idosos.
    O idoso aposentado, de todos os setores, depois de trabalhar longos anos em prol do desenvolvimento de seu estado, precisa e merece ser tratado com dignidade. Os brasileiros idosos, atualmente são maioria. Em geral, de baixa renda. Um dia, todos nós necessitaremos de atendimento médico, quiçá de emergência. Para onde nos dirigiremos? Daí a inteira procedência dos termos de sua carta aberta.
    Será que ainda podemos ter esperança de que as autoridades competentes voltem sua atenção para os problemas da saúde pública na terceira idade?
    Wilma de Mendonça, Rio de Janeiro (RJ), 12/setembro/2011

  • Davi Araújo, Goiânia - Go

    Olá Prof. Wander, Boa tarde !
    Realmente o questão da saúde em nosso país está longe de resolver!
    Acredito que ai no Rio de Janeiro o Governador não tenha enxergado tantas falhas,pelo seu secretário de saúde! Eu acho que simplesmente o mesmo não precise utilizar este serviço público.
    As autoridades (Governador e Secretário de Saúde), tem uma forma mais fácil de atendimento... Por ex.: Quando o governador estiver doente, ele liga para o secretário, e ele liga para algum amigo médico que atenda o governador de graça!
    Isso é o Brasil... Aqui em Goiás acontece muito isso!
    Sou cidadão consciente e garanto o meu direito... temos que mostrar as corrupçoes ativas!

  • Luis Cidreira, Salvador

    Boa tarde prof. Wander,
    O poder público esquece que é intríseco a ele a Política Nacional do Idoso, com ações que visem à garantia da prestação de serviços e desenvolvimento de ações voltadas para as suas necessidades básicas como " previnir, promover, proteger e recuperar a saúde do idoso".

  • Ramonn Aiála, Serra - ES

    É bom saber que algumas pessoas ainda inserem artigos que possamos tirar proveito em nossos jornais e refletirmos sobre até onde vamos deixar, ou melhor, participar dessas banalidades e achar que está tudo normal?
    Esse depoimento nos leva a refletir de como anda os nossos serviços amparados pela máquina pública, que hoje não passa de um covil de pessoas desonestas e operários de causas próprias.
    Lamento porque sei o que é depender de saúde pública, o caos que nos assola é uma vergonha. Ainda se fosse só a saúde, mas não, é em todos os setores. Espero que tomemos consciência e saibamos votar nas próximas eleições para os municípios excluindo ao máximo os sangue sugas do nosso sistema governamental.
    Temos também que salientar, nessa época de grandes acontecimentos como copa e olimpíadas os nossos governantes aproveitam do êxtase do momento.
    Vamos ficar de olho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Luiz Fernandes, Niterói

    Este quadro da saúde pública, comentado com bastante propriedade por este renomado cronista, reflete com bastante realidade o que vem ocorrendo com toda apopulação brasileira quando busca nosso precário serviço de saúde. Nossos governantes, estão com os olhos voltados aos futuros eventos esportivos mundiais e esquecem que o povo vem sofrendo nos corredores dos hospitais públicos aguardando vaga para serem atendidos por profissionais mal pagos, preocupados apenas em largar seus plantões para poderem prestar bons serviços aos planos de saúde, para onde a população que nunca pensou em ter um plano de saúde, está migrando para este serviço, deixando até mesmo de colocar seus filhos em escolas particulares para poderem ter direitos a um melhor atendimento médico, pois, nas grandes cidades, nunca se sabe quando iremos precisar de um hospital.

  • JANAINA CORREA DOS SANTOS, Rio de Janeiro

    Realmente é impraticável tudo o que vem ocorrendo na saúde.
    Isso não é mais falta de políticas públicas, apenas um interesse em viabilizar o dinheiro para os eventos da cidade onde somente o "público estrangeiro" passará.
    Pergunto, se tudo que vem ocorrendo com os idosos não está ferindo o Estatuto do Idoso?

  • MARCOSVASCONCELLOS, RJ - EAD - ESTÁCIO - PEDAGOGIA

    Caro Professor,
    Considero que esse seja um problema que se inicia na escola, visto que sem educação, sem boa escola, qualquer discurso populista, encontra amparo na população. Políticos demagogos, corruptos, populistas, conseguem se reeleger indefinidamente. Cabe a nós, Caro Professor, lutarmos por uma escola que capacite o alunado a discernir um discurso, votar corretamente, multiplicar idéias e ideais.
    Cabe ao Sr. e seus pares, da mídia, continuarem divulgando absurdos como esse.
    Há muito, a saúde agoniza, sem que qualquer atitude seja tomada. Ouvimos ou lemos somente o descaso, má gestão dos recursos, desvios, etc. Com baixos salários, os profissionais da saúde se evadem, sobram instalações. Continue! Provoque a indignação!
    Parabéns!

  • Cynthia Habibe - EAD Estácio - RJ , RJ

    Enquanto lia este artigo passou um filme em minha cabeça, pois lembrei de quando em 2009 fui surpeeendida por uma crise de apendicite e tive que ser internada as pressas no Hospital Azevedo Lima.Foi a experências mais assustadora que vivenciei.Não havia leitos e por isso os corredores estavam repletos de pacientes dentre eles vários idosos.Inclusive presenciei um idoso cair de uma maca e sua irmã socorre-lo, pois não havia nenhuma pessoa responsavel para isto.Eu, antes de conseguir uma vaga na enfermaria,passei três dias internada, com medicação na veia em uma cadeira de "plástico" juntamente com umas 15 pessoas (alguns idoso) no ambulatório.Alguns pacientes sentavam em cadeiras de praia trazidas por parentes, pois as do ambulatório eram duras demais.O pior era a noite, dormir sentada era horrível.Neste mesmo lugar havia umas poltronas de couro onde pasmem, pacientes de casos "considerados" não muito grave estavam inernados há 3 meses à espera da bendita cirurgia.Só consegui fazer a cirurgia depois que meu irmão e minha tia tentaram me transferir para outro hospital,e como meu caso se agravava a cada hora e com medo de eu não suportar a transferência realizaram a cirurgia.Nos dias em que fiquei internada pude perceber o carinho e dedicação da maioria dos profissionais e que na realidade o grande problema é a falta de estrutura e a bendita verba.Graças à Deus sobrevivi e hoje estou aqui para contar para vocês esta história, mas nos quase 10 dias de internação soube que um idoso que também ficou internado na cadeira não suportou à espera pelo leito.E eu, como sobrevivente que sou desta sucata que se tornou a saúde em nosso Estado, peço encarecidamente ao Sr°Governador que providências sejam tomadas pois se eu quase não resisti, imagina nossos idosos, que sabemos não ter a mesma resistência que nós mais jovem.Enfim, não é justo que depois de uma vida toda de trabalho o idoso não possa ter o mínimo de dignidade ao precisar de atendimento médico.

  • carla amorim, rio de janeiro

    Prezado professor, agradeço, mais uma vez por me contagiar com uma leitura brilhante. Como um breve complemento, gostaria de pedir a Deus, para que nenhum parente do nosso Ilustre Governador sofra qualquer aceidente no meio da rua e que seja encaminhado para uma rede pública hospitalar...

  • Thais Guerra, Rio de Janeiro

    Caro Professor

    Realmente a saúde esta precária, principalmente a rede pública, trabalho em um hospital de grande emergência e vejo diariamente os que passam as pessoas que precisam de atendimento e também dos profissionais que lá trabalham. Pois sem condições tem que dar "jeitinhos" para tentar fazer trabalho um pouco mais digno e trazer um pouco mais de conforto a quem realmente necessita. Até quando isso vai continuar. Os idosos são os principais sofredores nisso tudo, pois já ganham uma miséria de aposentadoria e não tem dinheiro para pagar uma plano de saúde e estes também cobram um absurdo.

  • maristela, cezarina- goias

    Querido professor,lastimo imensamente por seu pai,seu artigo é imensamente coerente pois os idosos nescessitam de um atendimento personalizado,por sua fagilidade e falta de mobilidade,espero que este artigo possa de alguma forma mobilizar e surtir algum efeito a quem for concernente realizar alguma obra neste sentido.

  • Solange da Silva, Florianópolis SC

    Falar seu texto é impecável é redundante,pois bem sabe o quanto admiro o modo como expressa suas idéias através das palavras. Mas uma coisa posso lhe dizer: sou carioca, saí do Rio a 23 anos e agora, retornando para férias, fiquei impressionada com a falta de respeito com a saúde do carioca; aliás, acho que já sabia que isso iria acontecer e mesmo assim custei acreditar. Se houve o que houve com aquele rapaz de Duque de Caxias que a dois dias atrás acidentou-se e ficou rodando e uma ambulância por quase 9 horas, imagino o que acontece com os idosos. Tenho 54 anos de idade e peço a Deus para não chegar aos 70,80 para não passar por essas humilhações. Verba para COPAS, CARNAVAIS, TORNEIOS, OLIMPÍADAS, etc. estão sempre disponíveis, mas vai falar em saúde, saneamento, educação e alimentação? Só tenho uma última coisa a dizer: PARA MUNDO QUE EU QUERO DESCER!

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.