O efeito Bric: o momento do Brasil
“Por muito tempo, o Brasil foi considerado um país de potencial, contudo sempre atrapalhado pela política, tanto em casa como no exterior. Por tanto tempo, foi chamado de país do futuro, disse esperar por um dia melhor que estaria sempre ao dobrar da esquina. Meus amigos, esse dia finalmente chegou. O povo do Brasil deve saber que o futuro chegou. Ele está aqui agora. E é hora de aproveitá-lo.”(Carlo Carrenho)
O Brasil, dentre os BRICs, é provavelmente o melhor país do mundo para se viver e investir neste momento. É também uma dos países que está se desenvolvendo mais rapidamente. Em 2050 deverá ser uma das nações mais ricas do planeta. Atualmente, é considerado por vários analistas e acadêmicos uma superpotência potencial do século 21. Nas últimas duas décadas, o Brasil passou por mudanças importantes e se tornou um ator muito forte no mercado mundial.
Elizabeth Reavey, pesquisadora associada do Conselho de Assuntos Hemisféricos, afirma que o Brasil é uma superpotência emergente,com potencial “para ter um boom econômico similar ao da China, com aumento de sua capacidade nuclear, e crescente auto-confiança em seu poder de determinar seu próprio caminho”.
Hoje verificamos um forte e veloz crescimento na economia brasileira. O aumento do consumo, e baixa dependência das exportações,demonstram que o progresso do Brasil continua em ritmo constante, enquanto a maioria das grandes economias no resto do mundo sofre oscilações. Muito disso se deve à estabilidade política, com a democracia firmemente arraigada, boa gestão fiscal, além dos recursos naturais com os quais é abençoado.
A corrupção é ainda um grande problema. Provavelmente o Brasil não é mais corrupto dentre todos os BRICs, tem se saído melhor do que China e Índia e Rússia. A corrupção tem sido combatida de frente. A Polícia e a Receita Federal têm realizado de forma sistemática diversas operações especiais para enfrentá-la, assim como a lavagem de dinheiro. Além disso, existem mais de 60 projetosem análise no Congresso Nacional, ligados aos esforços de combate à corrupção.
Em termos de relações comerciais internacionais, os Estados Unidos continuam a ser o maior parceiro comercial do Brasil e esta relação parece crescer à medida que a economia brasileira se desenvolve. Esta nova relação coloca Brasil no topo do mapa políticonorte-americano e permite a construção de uma relação comercial significativa em um ambiente aberto e estável para o comércio e para o investimento.
A União Européia busca neste momento um acordo de livre comércio (TLC) com o Mercosul. De acordo com recente relatório da Comissão Europeia: “O acordo que está em negociação deve representar um impulso para a integração do comércio regional entre os países do Mercosul e estimular novas oportunidades junto à União Européia através da remoção de barreiras tarifárias e não tarifáriasao comércio. "
Além disso, a China tornou-se um parceiro fundamental do Brasil, sendo o principal comprador das exportações de brasileiras. No outro sentido, a China ocupa o segundo lugar dentre os países dos quais o Brasil importa mais bens e serviços. Segundo o Embaixador Sérgio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento e presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, parece que “O Brasil precisa da Chinatanto quanto a China do Brasil”. Os dois países vem assinando um número crescente de acordos bilaterais e hoje há maior cooperação entre as empresas financeiras e de energia, bem como maior disposição para discussões sobre questões como segurança alimentar.
Uma das mais fortes razões para se apostar no Brasil é o fato do país estar protegido contra alguns dos maiores problemas enfrentados pelo resto do mundo. Isto inclui escassez de água doce, commodities agrícolas e abastecimento seguro de energia. No setor energético,o Brasil se destaca no setor de energias renováveis, sendo o primeiro dentre os grandes países a propor metas ambiciosas para redução das emissões de carbono.
O Brasil proporciona uma quantidade enorme de oportunidades para fabricantes e fornecedores, muitas na área de petróleo e gás. É odécimo maior consumidor de energia no mundo e o maior da América do Sul. É também o 15º produtor de petróleo. De 2001 a 2009, a indústria de petróleo e gás quase dobrou de tamanho, e fatos da última década abriram um leque ainda mais amplo, incluindo grandesdescobertas em águas profundas na “camada do pré-sal”. O país também inicia atividades onshore de forma extensiva, tendo dobrado sua produção nos últimos cinco anos.
Não bastasse isto tudo, o Brasil sediará nesta década a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A exposição dos eventos através da mídia e da internet será incrível, uma grande janela para investimentos e possibilidade de um legado global de longo prazo, uma chancesem precedentes para promover a marca brasileira e garantir um futuro de benefícios econômicos e sociais, que poderão alçar o país a um novo patamar.
O grande desafio para o governo é melhorar a infra-estrutura para suportar o fluxo de visitantes que serão atraídos por esses eventos.Isto exige grandes aportes na área do turismo, em instalações desportivas e em áreas urbanas. Contudo, alguns estudiosos ainda são reticentes. Andrew Dell'Olio em seu artigo New Sources of Infrastructure Financing in Brazil: An Update, diz que “além das exigências de infra-estrutura devido ao crescimento populacional.
Hoje, ninguém pode prever o futuro do Brasil, embora o consenso geral seja de muito otimismo. A economia cresceu novamente, em 2010, a uma das maiores taxas do mundo, mas terá que fazer mais, combatendo a inflação a fim de manter esta tendência. Hoje, a economia brasileira parece relativamente forte em seus fundamentos - não só em relação ao resto dos BRICs - mas também frente a outros países. Só podemos especular que o Brasil já está se tornando, de fato, uma superpotência econômica e política.
Monika Sophie Jablonska – é a candidata a PhD na Columbia University (EUA) na Warsaw University School of Laws (Polônia). Atua como consultora em Direito e em comércio exterior em Nova York
