ASSINE
search button

A briga de Lula com o matriarcado

Compartilhar

As aparências enganam, principalmente os trouxas. Ou os que pensam que são espertos demais. Nestes primeiros meses do matriarcado da presidente Dilma Rousseff, ela e o ex-presidente e candidato Lula da Silva dançam o rondó da amizade eterna, forrado pela gratidão da eleita e com a certeza do grande eleitor de que estará no páreo na próxima eleição presidencial.

Ninguém está sendo enganado.  A presidente Dilma sabe que só será reeleita com o apoio de Lula e que para ambos seriaextremamente constrangedor um rompimento que sepultasse o passado e o presente de uma amizade de mão dupla.

O mexer das pedras no tabuleiro de xadrez vem confirmando a boa-fé e a amizade entre ambos. Mas a onça está saciada e opoço, cheio. E o Lula miliardário descobriu a chave da fortuna com as palestras nos auditórios do mundo com cachês de milhões.

Acredito que, no momento, a volta ao Palácio do Planalto não o seduza no confronto com esta temporada abençoada em queviaja pelo cinco continentes fazendo palestras ao preço do que a presidente Dilma fatura em um ano.

E não é só isso. É também a boa vida sem as maçadas da Presidência, o despacho de papéis que nunca leu e confiava noresumo oral do chefe do Gabinete Civil.

Agora mesmo, um exemplo perfeito. Enquanto Lula viaja, a presidente Dilma e as suas ministras esquentam a cabeça com oinsosso debate sobre a quebra do sigilo dos documentos ultrassesecretos. E que só despertam curiosidade enquanto secretos. O aviso foi dado pela ministra da Articulação Política, Ideli Salvatti, depois que o Itamaraty, após consulta a seus arquivos, declarou não ter encontrado neles informação comprometedora.

O sigilo eterno, que Dilma criticou quando ministra chefe da Casa Civil, foi derrubado na Câmara dos Deputados, mas ogoverno tinha recuado e queria mantê-lo na votação do Senado, a pretexto de preservar documentos sobre fronteiras e relaçõesinternacionais. O Itamaraty informou ao governo que com tais restrições seria possível renovar o prazo de ultrassecreto de 25 anos.

Este é um tema perfeito para longos entendimentos entre o governo e o Congresso, com as devidas consultas ao Itamaraty.

Depois dos feriados, é claro. A presidente Dilma respeitará o que o Congresso decidir.

Podemos dormir sossegados. O governo zela por nós. Amém.

Villas-Bôas Corrêa é repórter político do JB