As grandes oposições ideológicas desapareceram: a alternância de ontem prepara a coalizão de amanhã. Na recente apreciação do novo código florestal, o fato de multiplicar as reuniões não teve como objetivo chegar a um hipotético consenso.
Como uma bolinha que ricocheteia de um obstáculo a outro, a decisão final nada mais foi que a conclusão de uma longa série de microdecisões. Com efeito, cada grupo realmente esforçou-se para evitar que outro tomasse uma posição dominante.
Podemos duvidar que tal coalizão consiga mobilização duradoura apenas mediante objeções e melhorias contingentes, evitando cuidadosamente tudo o que poderia fazer supor que ainda seja capaz de examinar a sociedade como um todo.
Numa sociedade a intensidade dos relacionamentos permite a circulação máxima de informações, a transação parece consagrada como a única verdade. Em verdade, circulação da informação, transparência e integridade dos procedimentos são condições essenciais para a ação eficaz dos agentes econômicos.
Porque a política não permite controlar o próprio exercício do saber, os políticos hoje invocam as contingências de uma economia globalizada para afirmar seu poder.
Toda norma (o novo código inclusive) integra uma avaliação de risco, e esta avaliação não pode ser somente técnica, pois o custo do erro, do desvio, mede-se somente pelo preço das perturbações sociais que de fato vai provocar. Nenhum cálculo de probabilidade dita a resposta, pois esta depende implicitamente da avaliação objetiva que é feita dos diferentes tipos de risco incorridos.
* Engenheiro