Combate à pirataria é mais que operações ocasionais
Algumas coisas no Rio de Janeiro – e, por que não dizer, no Brasil – são difíceis de entender. No centro comercial popular conhecido como Camelódromo, no coração da Cidade Maravilhosa, funciona, de segunda a sábado, gigantesco varejo de produtos pirateados. Camisas de clubes, bonés, tênis, jeans, eletroeletrônicos... tudo pode ser comprado a preços bem mais em conta, pois, afinal, impostos, royalties e taxas aduaneiras são coisas que os comerciantes dali ignoram.
Ontem, uma força tarefa da Receita Federal com 40 fiscais, protegidos por 150 policiais, invadiu a Rua Uruguaiana e adjacências para recolher mercadorias vendidas ilegalmente no valor estimado de R$ 30 milhões. Os cerca de 1.500 boxes do Camelódromo foram vasculhados e vários caminhões usados para levar dali a pirataria.
Hoje, no entanto, milhares de comerciantes pelo estado do Rio afora estarão em seus postos, recebendo carregamentos de produtos de marcas famosas e qualidade duvidosa. A indústria pirata não para de produzir, seja nos galpões do subúrbio carioca e da Baixada Fluminense ou na distante Ásia meridional. Poderosas, as máfias continuam passando com seus carregamentos pelas nossas fronteiras e portos.
Operações esporádicas são louváveis. Urge, no entanto, patrulhar as fronteiras e blindar os patrulheiros, com formação sólida e salários dignos, para que resistam ao apelo da corrupção. A mesma que permite a entrada de armas e drogas a granel no país.
