Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891

Rio

Pesquisadores fazem nota de desagravo a professora Jaqueline Muniz

Em entrevista, professora da UFF se posicionou contra intervenção federal no Rio

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Professores e pesquisadores da UFF (Universidade Federal Fluminense), ligados ao Departamento de Segurança Pública e ao Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC) da instituição, divulgaram nesta quinta-feira (22) uma nota em apoio à professora Jaqueline Muniz. 

Depois de ter concedido entrevista a um programa da Globonews no último sábado (17) e no qual fez uma exposição contrária à intervenção federal na segurança pública do estado do Rio de Janeiro, a professora passou a ser atacada nas redes sociais.

Entrevista de Jaqueline Muniz teve grande repercussão

Veja, na íntegra, a nota e os signatários do documento:

Os ataques, extremamente reduzidos diante dos milhares de posicionamentos que se mostram satisfeitos, quando não agradecidos, diante dos esclarecimentos promovidos pela professora, revelam o desespero diante dos efeitos de desmonte da farsa pirotécnica construída em torno da chamada intervenção federal. E se coadunam com as mentalidades regressivas que atuam, já há algum tempo, na dilapidação e sucateamento das instituições democráticas, em favor de um despotismo voltado para maior empoderamento e enriquecimento de grupos e indivíduos subservientes aos interesses de um capitalismo selvagem. Por outro lado, são posturas que destilam misoginia e preconceito, segregando ódio, voltados para incrementar a vitimização de minorias sociais construídas, particularmente mulheres, homossexuais e transgêneros, pobres e grupos étnicos desfavorecidos.

A professora Jacqueline Muniz está sendo atacada por uma razão muito simples. Ela demonstrou para todo o país o amplo conhecimento que detém sobre assunto considerado de domínio de poucos, especialmente atores externos à sociedade civil. O que não nos surpreende, já sua competência é resultado de mais de duas décadas de pesquisas e atuação profissional em diferentes instituições acadêmicas, como também nos poderes executivos em diferentes esferas de governo. Razão pela qual foi convidada a lecionar em dezenas de academias de policia no Brasil e na América Latina sendo, invariavelmente, homenageada pelos policiais com os quais tem contato.

É possível que o que mais incomode as mentes subservientes às estratégias anti-democráticas seja o domínio discursivo demonstrado pela professora diante das lentes midiáticas, geralmente apontadas para distorcer a realidade. Dessa vez, ao que parece, a lente é que foi distorcida, revelando as estratégias hipócritas dispostas a brincar com vidas humanas para mero deleite de um poder urdido por praticas golpistas dispostas a se perpetuarem. A professora demonstrou, de forma singular, que a produção da Universidade Pública, calcada na indissociação entre pesquisa, ensino e extensão - a mesma que o governo federal e seus aliados querem destruir - pode e deve estar a serviço da promoção do Estado Democrático de Direito, onde as leis e a constituição federal sejam respeitadas, como é a posição desse departamento e desse instituto.

Finalmente, os esforços institucionais de toda a comunidade que integra o InEAC, bem como o DSP, se voltam para os estudos dos processos de administração de conflitos e, nestes, para a segurança publica não apenas como mero objeto da curiosidade científica. Pensamos esta ultima como uma dimensão resultante de interações sociais objetivas e, portanto, eivadas de subjetividades que merecem tratamento cientifico de natureza interdisciplinar. As problematizações e perspectiva críticas promovidas por este corpo docente na abordagem da referida temática estão a serviço de projetos que parecem interessar amplamente a sociedade. Começando por socializar os estudantes para a aquisição de conhecimentos e competências que possibilitem o desenvolvimento do pensamento autônomo e respeito àsdiferenças presentes nos processos comunicacionais interativos. Por isso mesmo nos posicionamos em defesa do Estado Democrático de Direito, das garantias individuais e coletivas, bem como da promoção equitativa da justiça para além dos termos meramente formais. Não é possível falar de segurança pública sem nos atermos à defesa da educação pública em todos os níveis, entre outros a promoção de políticas sociais que atendam indistintamente a todos os cidadãos.

Assinam:

Cristiane Reis (DSP/UFF)

Danieli Machado Bezerra (DSP/UFF)

Daniel Ganem Misse(DSP/UFF)

Izabel Nunez (DSP/UFF)

Klarissa Platero (DSP/UFF)

Lenin Pires (DSP/UFF)

Luciane Patricio (DSP/UFF)

Ludmila Antunes (DSP/UFF)

Marco Aurelio Gonçalves Ferreira (DSP/UFF)

Paula Pimenta (DSP/UFF)

Pedro Heitor Barros Geraldo (DSP/UFF)

Vivian Gilbert Ferreira Paes (DSP/UFF)

Vladimir Carvalho Luz (DSP/UFF)

 

Apoiam também:

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Instituto de Estudos em Administração de Conflitos (INCT-InEAC – wwwineac.uff.br) e demais membros da comunidade universitária.

Roberto Kant de Lima - (Coordenador - INCT-InEAC)

Sidney Mello (Reitor da UFF)

Antonio Claudio da Nóbrega (Vice-Reitor da UFF)

Simoni Guedes (Depto de Antropologia/UFF)

Ana Paula Mendes de Miranda (Depto de Antropologia/UFF - Coordenadora do Curso de Especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública )

Fábio Reis Mota (Depto de Antropologia/UFF e coordenador do NUFEP)

Lucía Eilbaum (Depto de Antropologia/UFF)

Edilson Márcio Almeida da Silva (Coordenador do Programa de Antropologia/UFF)

Felipe Berocan Veiga - (Depto de Antropologia/UFF)

Glaucia Mouzinho - (Polo de Campos-UFF)

Soraya Silveira Simões -IPPUR/UFRJ

Kátia Sento Sé Mello - NUSIS/UFRJ

Marco Antonio da Silva Mello - IFCS-UFRJ

Lana Lage - (UENF- UFF-InEAC)

Rodrigo Guiringhelli Azevedo - PUCRS

Michel Lobo - (InEAC-UFF e IESP-UERJ)

José Colaço (Neanf/UFF e InEAC/UFF)

Frederico Policarpo- (professor do curso de políticas públicas / Uff )

Bárbara Lupetti - (UFF e UVA)

Andrés del Rio- (chefe do departamento de geografia e políticas públicas/ Uff)

Alberto Di Sabbato, Faculdade de Economia/UFF

Maíra Machado-Martins (Departamento de Arquitetura - PUC-Rio)

Talitha Rocha (PPGA/UFF e InEAC/UFF)

Leticia de Luna Freire (Dep. Ciências Sociais e Educação - UERJ)

Marcos Verissimo - INCT-InEAC

Paloma Monteiro (PPGA/UFF e InEAC/UFF)

Vera Ribeiro Almeida S. Faria - InEAC e PPGSD/ UFF

Alberto Di Sabbato, Faculdade de Economia/UFF

Andréa Soutto Mayor - InEAC/Departamento de Psicologia de Campos

Gabriel Borges da Silva (PPGSD/UFF é InEAC/UFF)

Rolf Malungo de Souza (Departamento de Ciências Humanas e coordenador do Necter)

Natália Brandão (PPGA/UFF e InEAC/UFF)

Aureanice de Mello Correa (coordenadora do PEARGEC/UERJ)

Roberta de Mello Correa (PPGA/UFF e INEAC/UFF)

Patricia Maya Monteiro - DPUR/UFRJ

Yolanda Gaffree Ribeiro (Departamento de Sociologia/IFCS/UFRJ e INEAC/UFF).

Flavia Medeiros (Pesquisadora PPGA/UFF e InEAC/UFF)

Fabio de Medina da Silva Gomes (PPGA/UFF e InEAC/UFF)



Tags: entrevista, forças armadas, governo, intervenção, professora, redes sociais, rio de janeiro, segurança pública, temer

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