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“Farra dos Guardanapos” de Cabral teria sido comemoração da escolha do Rio como sede das Olimpíadas

Operação Unfair Play investiga suspeita de compra de voto que elegeu o Rio como sede dos Jogos

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A “Farra dos Guardanapos” - que mostra o ex-governador Sérgio Cabral confraternizando com correligionários em um restaurante em Paris usando guardanapos amarrados na cabeça - pode ter sido uma comemoração antecipada da vitória da Rio-2016. É o que afirma a procuradora Fabiana Schneider, integrante da operação Unfair Play, deflagrada nesta terça (5) para investigar a compra de votos para a escolha do Rio como sede dos Jogos.

“O que nós temos de informação é que Lamine Diack era um frequentador assíduo de Paris e pode ter havido (na farra dos guardanapos) uma comemoração antecipada (da vitória da Rio-2016) daqueles que mais lucraram com a Olimpíada no Brasil”, destacou a procuradora. Lamine Diack foi um dos jurados da eleição que elegeu o Rio como sede.

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Festa em 2012 teria sido comemoração de escolha do Rio como sede dos Jogos

A festa, conhecida como "farra dos guardanapos", ficou conhecida em 2012, com fotos publicadas no blog do ex-governador Anthony Garotinho. Nas fotos, Cabral aparece comemorando com outros políticos atualmente acusados de envolvimento em esquemas de corrupção.

"O Rio de Janeiro recebeu um prêmio em Paris. Foi o famoso fato que ficou conhecido, quando saíram as fotografias, como a 'farra do guardanapo'. É uma imagem em que todos vão se lembrar daquela festa, daquela comemoração que vários dos nossos, agora investigados, estavam presentes", afirmou a procuradora.

Fabiana ressaltou que o evento aconteceu no dia 14 de setembro em Paris e que no dia 23 do mesmo mês ocorreu a primeira transferência bancária confirmada por meio de cooperação internacional da Metlock para a conta de Papa Diack, filho de Lamine Diack.

Ainda segundo a procuradora, no dia 29 de setembro de 2009, a Matlock fez dois depósitos, um de R$ 1,5 milhão na conta de uma empresa que é de Papa Diack, e mais US$ 500 mil numa agência do Senegal.

"Dessa vez, em outras agências, outros países, esses depósitos são efetivados. No dia 2 de outubro de 2009, poucos dias depois, acontece o evento na Dinamarca, em Kopenhagem, em que o Rio de Janeiro vence e ganha a posição para sediar os jogos olímpicos, mesmo tendo as piores condições dentre todos os candidatos, lembrando que Chicago tinha melhores condições tecnicamente, estaria na frente e caiu na primeira rodada", disse a procuradora.

Cooperação Internacional

Toda a operação deflagrada hoje contou com colaborações de Antígua e Barbuda, França, Estados Unidos e Reino Unido. Representantes do Ministério da Justiça francês participaram da ação. O procurador Nacional Adjunto Financeiro do país, Jean-Yves Lourgouilloux disse que as investigações por lá começaram no fim de 2014, com o caso de dopagem envolvendo atletas russos.

“Alguns dos envolvidos eram da Federação Internacional de Atletismo e alguns eram franceses. Algumas transferências de capitais aconteceram na França. Começamos a investigar e confirmamos a suspeita. No final de 2015 foram emitidos vários mandados de busca e apreensão e as investigações financeiras que foram produzidas permitiram determinar que a corrupção ia muito além do fato de esconder o doping de atletas russos, mas podia envolver as condições de atribuição das cidades-sede dos eventos esportivos, inclusive o mais importante deles, os jogos olímpicos”, disse Jean-Yves.

Segundo ele, a investigação apontou para uma transferência suspeita entre o Comitê Organizador de Tóquio 2020 e a Sociedade de Singapura, que já estava envolvida com o caso dos atletas russos. “Foi aberta outra investigação com os mesmos juízes que já conheciam o caso e nos demos conta que a mesma coisa podia ter acontecido com o Rio de Janeiro e pedimos a cooperação com o Brasil. Isso que nos permitiu evidenciar as transferências de dinheiro até a França onde o banco recusou a transferência. Essas transferências já foram acompanhadas antes da sede ser designada ao Rio. No mesmo dia da cerimônia o dinheiro chegou na conta e parte foi gasta em joias em Paris”.

A Operação Unfair Play contou com 70 policiais federais, que cumpriram dois mandados de prisão e 14 de busca e apreensão, sendo que três deles foram expedidos no decorrer do dia como extensão dos 11 iniciais. As diligências ainda não terminaram e ocorrem nas cidades do Rio de Janeiro, de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e em Paris.

Eliane Pereira Cavalcante, ex-sócia de Arthur César de Menezes Soares Filho, foi presa pela manhã em sua casa, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, e o nome de Soares foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, já que ele vive nos Estados Unidos. Nuzman foi levado para a sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro para ser ouvido e deixou o local por volta de 15h15. Na casa dele foram apreendidos cerca de R$ 400 mil em notas de reais, dólares, libras, euros e francos suíços. O MPF pediu o bloqueio de até R$ 1 bilhão de cada um deles, como forma de ressarcimento ao país pelos danos morais causados pelo ato de corrupção com visibilidade internacional.

*Com informações da Agência Brasil



Tags: corrupção, festa dos guardanapos, investigação, jogos, olimpiadas

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