Jornal do Brasil

Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

Rio

Empreiteira da ciclovia Tim Maia atuará na proposta de privatização da Cedae

Concremat faz parte do grupo que venceu a disputa para a estruturação de projeto

Jornal do Brasil

Entre as empresas integrantes do consórcio vencedor anunciado nessa segunda-feira (15) pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a contratação de serviços técnicos especializados necessários à estruturação de projeto de desestatização dos serviços de água e esgoto prestados pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), no Estado do Rio de Janeiro, está a Concremat Engenharia e Tecnologia S/A. É a mesma empreiteira que foi responsável pela obra da ciclovia Tim Maia – “Ciclovia da Morte” -, na Avenida Niemeyer, Zona Sul da capital fluminense.

Na ocasião da queda da ciclovia, em abril de 2016, morreram o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, 54 anos, o gari comunitário Ronaldo Severino da Silva, 60 anos.

Parte da ciclovia Tim Maia caiu em matou dois em 2016
Parte da ciclovia Tim Maia caiu em matou dois em 2016

Durante a vistoria feita na ciclovia após o acidente, os técnicos do Crea-RJ destacaram irregularidades como a existência de um considerável número de pontos de deterioração constatados ao longo de toda a ciclovia, comprometendo a segurança estrutural; ausência de sinalizações ao longo da ciclovia, para o caso de alertas meteorológicos e de marés; necessidade de substituição de aparelhos de apoio; além de identificarem a existência de outras áreas da ciclovia que podem estar expostas aos mesmos efeitos das marés que o trecho onde ocorreu o desmoronamento.

O consórcio que fará o projeto de desestatização da Cedae é composto, ainda, pelo Banco Fator S/A e Vernalha Guimarães & Pereira Advogados Associados, além da Concremat. O grupo ofereceu proposta de R$ 6,787 milhões. O valor representou um deságio de 75,12% em relação ao estimado inicialmente, que era de R$ 27,273 milhões. Ao todo, 11 consórcios cadastraram propostas no sistema Comprasnet, do Governo Federal.

A assinatura do contrato deverá ocorrer nas próximas semanas, de acordo com o BNDES. O consórcio terá sete meses para conclusão dos trabalhos.

Concremat e ciclovia

A ciclovia, que foi inaugurada em janeiro de 2016, teve um custo de construção divulgado de R$ 45 milhões. Vereadores do Rio de Janeiro destacaram, à época, que a Concremat não era uma empresa que costumava trabalhar com execução de obras, mas que tinha muitos contratos com a prefeitura justamente para supervisionar as obras de outros. Os parlamentarem alertavam que a construtora já esteve envolvida em outros casos questionados pela Justiça.

A Concremat tinha sete contratos com a prefeitura do Rio em 2016, nos quais era responsável pela supervisão. O valor total do pacote sofreu um acréscimo de quase 25% até 31 de outubro de 2015. De R$ 2,986 bilhões previstos inicialmente, a quantia passou para R$ 3,720 bilhões. 

De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, há três ações judiciais sobre o desabamento da ciclovia Tim Maia. Ainda não houve conclusões.

Os processos são:

0249149-17.2016.8.19.0001 – Ação Civil Pública de autoria do Ministério Público, que tramita na 9ª Vara de Fazenda Pública

0229670-38.2016.8.19.0001 – processo que tramita na 32ª Vara Criminal sobre a morte de duas pessoas com o desabamento.

0143412-25.2016.8.19.0001 – Ação Popular que também tramita na 9ª Vara de Fazenda Pública.

Tags: bndes, cedae, ciclovia, concremat, crea-rj, privatização

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